Lição com dramalhão
Beatriz, com 6 anos, tinha bastante lição de casa para fazer.
– Beatriz, vai fazer a lição. – pede sua mãe.
– Já vou, mamãe, estou com fome. – explica Bia.
Meia hora e uma bisnaguinha com nutella, mais tarde…
– Beatriz, vai fazer a lição! – pede, com mais ênfase, sua mãe.
– Já vou mamãe, estou com sono.
Mais uma hora e muitos desenhos depois…
– Beatriz, vai fazer a lição!
– Já vou mamãe, estou com dor de barriga. – responde Beatriz, já com um início de dramatização.
Mais meia hora…
– Beatriz, vai fazer a lição!
– Não consigo, mamãe… – e a dramatização fica mais elaborada…
– Beatriz, pára de se fazer de coitada e vai fazer a lição!
– Eu não tô me fingindo de coitada. Eu sou coitada!!! – finaliza a mocinha, que, depois de exercitar bastante sua veia artística, conclui a lição rapidamente, às 17h30.
Anel mágico
Idioma universal
Tanto que já na primeira vez que vieram falar com ela em francês, ela respondeu sem inibição algo do tipo:
– Badagu Loguiaxi blefxianhiem…
E quando sua mãe perguntou o que eles estavam falando, a pequena respondeu com aquela carinha de “como assim? Você não percebeu???”:
– Bebeiês, mamãe!
Sobre estrelas e girafas
Semente da coragem
Clara, com quatro anos e pouco, não conseguia se pendurar numa corda amarrada na árvore. Seu pai apareceu mexendo num potinho de sementes como se não soubesse de nada e disse:
– Olha essas sementes, Clara… Dizem que são muito poderosas… Quando alguém te dá uma, você consegue coragem para fazer qualquer coisa que tem medo… É só pedir! – e entrega a semente para a filha.
Clara, então, pega a corda, segura no nó mais alto, pega distância e pula balançando deliciosamente pendurada… Desce com um sorrisinho de canto e finge que nada aconteceu. Sua mãe observava tudo à distância.
Uma semana depois, todos foram passear em um parque com escorregadores enormes (que chegam perto “do” Deus, como Clara gosta de dizer). A pequena mostrou-se destemida! Subiu, desceu, correu… ufa! Voltando para casa, sua mãe pergunta:
-Nossa filha, hoje você arrasou, estava muito corajosa, muito bom! Você recebeu a sementinha da coragem de novo?
E Clara explicou:
-Não mamãe… ainda é o efeito da mesma!
(imagem: pixabay.com)
Diversas do Vitor 2
Vitor, agora com 4 anos:
Brincando de médico
– E aí Dr. Vitor, é grave? – pergunta a mãe.
– Peraí, abre o subaco. Tá tudo bem, mamãe, só um pouquinho de febre.
– Aé? Quanto deu?
– 59.
Às 5.a.m…
– Mamãe, eu tô de fralda?
– Não Vi, você não usa mais fralda.
– Então fiz xixi na cama.
Carinhos na mãe
Chegando do trabalho, sua mãe fala animada:
– Oi gatinhooo!
E ele responde:
– Oi cachorrinho!!
E, em um momento de chamego, ela pede:
– Vitor, dá um beijinho na mamãe?
– Só se você pedir por favor…
Bike spell
Luca, com quase 6 anos e sendo um típico geminiano, não sabe se descobre palavras ou anda de bicicleta:
– Pai, vamos andar de bicicleta? – pergunta o rapazinho.
– Agora não dá. – responde seu pai.
– Bi – ci – cle – não tá!
Multiprofissional
Theo, com 4 anos e meio, mordeu feio a língua e ficou muito assustado com o sangue. Em meio a berros e mais berros, sua mãe conseguiu conversar pelo telefone com uma amiga médica, que recomendou paciência e gelo ou sorvete p/ aliviar no momento.
– Theo, vamos colocar gelo e… – tenta falar sua mãe.
– Nããão! – berra Theo.
– Theo, eu converesei com a Tati, já vai melhorar, precisa ter paciência e…
– Nããão! – berra Theo.
– Theo, a Tati falou pra gente colocar gelo… pode ser um sorvete também, vamos tomar?
– Nããão! (pequena pausa) Como ela sabe?
– Ela é médica, né, filho.
– Não, ela é bailarina!
– Não é a tia Tati, Theo. É a Tati mãe do Martin e ela é médica.
– Mas onde ela trabalha? (ainda em tom escandaloso)
– Ela trabalha em um posto de saúde… vamos tomar logo esse sorvete e…
– Mas ela tá lá agora?
– Não, Theo, ela tá em casa, toma logo o sorvete e…
– Nããão! Mas em casa ela não é médica, em casa ela é mamãe!!!


