A vida e o planeta

Theo, com quatro anos e um mês, em uma conversa no carro passando por uma praça cheia de cachorros:

– Theo, sabia que o papai já teve uma cadela dessa que se chamava Cocada? – conta sua mãe depois de ver um Husky Siberiano.

– É? Mas onde ela está?

– Ela já morreu – explica o pai.

– Por que os cachorros morrem?

– Porque são animais, como as pessoas, nascem, vivem, morrem, é a vida… – filosofa um pouco a mãe.

– Tudo bem… (pausa reflexiva)… Mas, mãe, como é que começou o planeta Terra?

Viagem astral

– Mãe, eu quero pisar na lua. – afirma Caio, com 4 anos e pouco, no carro com sua mãe.

– Ah, então você vai ter que virar astronauta. – explica a mãe.

– Quando eu tinha 2 anos, eu tinha um traje de astronauta. Eu era astronauta de verdade, andava de foguete…

– É mesmo? E pra onde você foi?

– Ah, eu fui para o espaço, pra Saturno…

– Nossa, pra Saturno? Que legal!

– É, só que lá era muito gelado… tive que levar muita roupa de frio. Tinha até pinguim! E urso polar. Aí eu fiquei com medo do urso polar, que queria me comer…

– Puxa, e o que aconteceu?

– Ah, eu corri muito e ele não me alcançou. Aí eu encontrei uma foca e entrei com ela na água.

– A água devia estar muito gelada, né?

– Não, porque a foca estava quentinha e eu mergulhei agarradinho nela… Aí eu entrei no foguete de novo e voltei pra este planeta onde estava antes. E encontrei você, o papai…

– Ah, entendi…

– Sabia que o piloto tinha o mesmo nome de mim? E ele cuidava de mim enquanto a gente estava no espaço!

Vida animal

Rodrigo, com 3 anos e meio, ouviu os tios conversando e começou a repetir dois palavrões: “Talaio” e “Biado”. Mesmo com a família ignorando, tentando mudar o foco, ele ficou por vários dias repetindo em diferentes situações:

Talaio! Biado! Talaio! Biado!

Tempos depois, sua mãe teve uma ideia e resolveu recorrer a um livro de animais para chamar a atenção de Rodrigo. Folheando as páginas, ela explicou:

– Olha, filho, sabe aquela palavra que você gostou? Tá aqui, ó: ve-a-do, é esse bichinho aqui, viu?

E Rodrigo, bastante interessado, completou:

– Vi, legal, e cadê o Talaio?

Roxo

A Lúcia é prima do Hugo e, quando tinha uns dois anos, apaixonou-se por uma cor: a roxa.
Certa vez, ela chegou em casa enquanto a avó tricotava algumas roupas e pediu:

– Vó, compra um Palio Weekend roxo?

– Ih, Lúcia. Eu não tem dinheiro pra comprar um carro agora. – responde a avó ainda entretida no tricô. 

E, respirando fundo para se conformar, Lúcia então finaliza:

– Tá. Então cutchura uma blusa roxa pra mim.

Sangue e ossos

Theo, continuando suas explorações anatômicas:

– Vamos brincar, pai? – convida o mocinho.

– Theo, o papai não pode brincar agora, porque ele tá com o dente sangrando. – explica sua mãe.

(pausa reflexiva)

– Ô mãe, o dente é feito de osso, osso não sangra!

– Tem razão, mas o dente fica na gengiva e a gengiva dele tá sangrando, porque o dentista mexeu lá e saiu sangue.

(nova pausa)

– E onde fica a gengívia? (coloca a mão) Aqui embaixo dos lábio?