As coisas

Nícolas, com 3 anos, em um momento reflexivo…

– Pai, por que as coisas só acontecem quando elas querem?

(eu também gostaria de saber 🙂

….

E querendo constatar o final da construção da sua casa no sítio, entrando no quarto que estava “de pé”, mas sem acabamento nenhum:

– Oba! Já tá tudo ponto, só faltam as coisas!

Do coração

Ian, 5 anos, tem dito que quer ser médico e também “biogatário” (não me pergunte onde ele e o pai dele acharam esse nome, mas sei que tem a ver com o fato dele estar apaixonado por gatinhos)… tem falado bastante do que quer fazer quando crescer e tal… ontem ele chegou perguntando:

– Ô mãe, quando a gente pede essa coisa que a gente quer fazer é o coração que faz?
– Como assim, filho? Quando você escolhe o que quer trabalhar?
– É, quando a gente escolhe o que quer trabalhar é o coração que faz ou a gente tem que se preparar?
(mini suspiro da mãe encantada)
– Acho que as duas coisas, filho.

Frutos do mar e maionese

Theo, ainda com quatro anos e nove meses, saindo da escola e voltando no carro:

– Se existe cavalo marinho, existe vaca marinha? – pergunta o mocinho.
– Não, mas existe Peixe-boi… – responde sua mãe.
– Tá.
– E como foi na escola hoje?
– Foi legal, a Letícia foi, mas a Sofia faltou.
– Ela deve estar viajando.
– Ela tá viajando na maionese! (Rindo sozinho). Ô, mãe, como é que viaja na maionese?
– É um jeito de falar, né, filho. Quando alguém está distraído, não escuta o que o outro diz ou quando tá pensando em muitas coisas e nem percebe o que acontece na hora.
– Tá.
Após raro momento de silêncio, a mãe muda o caminho para comprar produtos de limpeza.
– Ô mãe, onde a gente tá indo?
– No supermercado.
– Onde?
– No supermercado!
– Onde?
– No supermercado!! Que foi, Theo, tá com o ouvido sujo?
– Não, né, mãe, tô viajando na maionese! (E volta a dar risada, feliz da vida)

maionesecrédito da imagem: guiadoscuriosos.com.br

Muito melhor que avião

O Enzo é um menino super esperto, de olhinhos azuis e que adora aviões. Sua casa fica ao lado da pousada dos seus pais, em um lugar paradisíaco onde eventualmente passam helicópteros e outras aeronaves.

Certa vez, meu marido, Mauricio, foi puxar conversa enquanto o pequeno brincava empolgado:

– Que legal este avião, Enzo!

– Isso não é avião, é um heptópteto! – respondeu com aquela cara de “mas você não sabe de nada mesmo, tsc,tsc…”

No dia seguinte, Enzo estava brincando novamente e, dessa vez, parecia que finalmente era um avião…

– Ah, agora é um avião, né? – quis confirmar Mauricio.

Mas Enzo mais uma vez teve que explicar:

– Nããão, isso não é um avião, você não tá vendo que isso aqui é um Fodete?!!

Descoberta na banheira

Rio de Janeiro, aquele calor das músicas da Fernanda Abreu… E o Hugo, com 2 anos e pouco pediu para ficar mais tempo brincando na banheira. 
– Ok – responde qua mãe – mas eu vou lá na sala falar com a tia Cris e já volto.
Da sala, a tia do Hugo ouvia as risadas e o barulho de água sendo espalhada para todos os lados. 
Até que: silêncio… E um grito, com tom de desespero:
– Mamãe, mamãe, mamãe!

A mãe volta correndo e encontra o filho com as pernas levantadas e a mão no traseiro, dizendo:
– Mamãe, mamãe! Costura aqui! Tem um buraco no meu bumbum!