Self-service

Lucas é um menino bastante precoce e extremamente inteligente. Alfabetizou-se com quatro anos e meio e, aos cinco, dizia coisas que ninguém acreditava (como perguntar à professora se ela irá distribuir os desenhos “aleatoriamente” para os alunos).
Certa vez, após uma brincadeira de “restaurante”, uma colega de classe perguntou:
– Professora, o que é self-service? 
Antes mesmo de a professora conseguir pensar na melhor forma de responder a pergunta, ele já falou com um tom de “mas isso é tãããõ óbvio”:
– Self-service, oras, você serve-se a si mesmo!

Protetores


João, com 8 anos, participou do campeonato de Taekwondo e contou para sua avó tudo o que aprendeu, inclusive como são as regras e tudo mais. 

Depois de ouvir que ele tinha usado protetor bucal sua avó arriscou uma pergunta inocente:

– E você usou protetor de sexo pra não machucar também?

E, então, João ficou bem sério e teve que explicar tintim por tintim:

– Vovó, que é isso?! Sexo não é órgão, é gênero, feminino e masculino ou transar. O protetor é genital, de pênis ou vagina.

Proporção

Aula de História no 7º ano; comparação entre Arte Medieval e Arte Renascentista. A professora explica:

– Nas obras de arte Renascentistas a noção de perspectiva, profundidade e proporção é muito mais precisa do que na medieval. O corpo dos seres humanos passa a ser retratado com muito mais minúcia de detalhes, blablabla...

No livro, os alunos observam um exemplo de obra renascentista: A Criação de Adão (Michelangelo – teto da capela Sistina).

– Professora, você tem certeza que essa obra é Renascentista e não Medieval? – pergunta uma aluna.

– Claro, é um exemplo clássico, o Michelangelo, blablabla..., o homem, blablabla… Convenci?

– Não, por que a noção de PROPORÇÃO aí tá muuuuito errada!

Risos gerais até o final da aula. Busca obstinada de todos os alunos para acharem mais homens e mulheres pelados pelo livro inteiro. A professora, então, resolve colocar mais lenha na fogueira, na tentativa de quebrar um pouco esse tabu da nudez:

– Ah, meninas, é assim mesmo, tem horas que fica pequenininho tem horas que fica grande, ué!

criacao-de-adao-michelangelo-buonarroti
imagem: wikipedia/domínio público

Diversas do Theo 7

Theo, com 4 anos e 3 meses, conseguiu colaborar bastante com o blog semana passada:

Brincando de médico 

– Mãe, já sei, Raio X é um raio que faz xxxxiissss, né?

Na escola

Depois de levar uma “chamada” (merecida) da professora:
– Sabe, se eu fosse você eu não seria assim tão mandono. Não é legal ser tão mandono.


Entregando uma lembrancinha de dia dos professores:
– Eu trouxe um presentinho, eu escritei todos os nomes, bem coloridos.

No pátio:
– Theo, por que você está gritando? Parece uma arara. – diz a professora.
– Não pareço, não, eu sou um menino. Arara grita em “ararês”! – responde o rapazinho.

Caminhando com sua mãe

 – Mãe, eu quero ser motorista de táxi, né?
– É, você já me contou, motorista de táxi, médico e marceneiro, né?
– É, eu quero porque o motorista de táxi fica pra lá e prá cá, levando as pessoas… ele não tem casa, né?
– Tem, filho, ele trabalha dirigindo, mas quando acaba volta pra casa, como todo mundo que trabalha fora de casa.
– Ah, tá bom.

Alguns raríssimos momentos de silêncio depois, ele  volta com sua infinita busca por entender os dias:
– Mãe, que dia é hoje? É amanhã?
– De novo, filho? A gente já conversou tanto sobre isso… Hoje é hoje, hoje é sexta-feira, tá bom?
– Mas hoje é dia do pai, da mãe, da criança?
– Não, acho que hoje não é dia de nada dessas coisas, mas depois a gente pesquisa.
– Não é dia do professor?
– Não, já passou, lembra?
– E quando é o dia do motorista de táxi?