Reflexões matinais

Theo, com 5 anos e meio, ainda na cama com suas reflexões matinais e conversando com a mãe cheia de sono:
– Mãe, pra que servem os números? Pra contar as coisas?
– Sim.
– E pra que servem as tintas? Pra pintar as coisas?
– Sim.
– E pra que servem as letras? Pra escrever as coisas?
– Siiim…
(Falando e rindo sozinho) – Ai, ai, ai… Quanta coisa cabe na minha cabeça!

Depois do café da manhã, ele foi ver uma semente que achou na floresta e plantou com o pai:
– Nossa! Nasceu um galho! Bem grande!
– É grande mesmo e cresceu muito rápido! Acho que essa semente é de uma planta igual ao pé de feijão mágico e vai chegar na casa do gigante, hein, Theo?
– Ahhh, mãe, isso não existe… mas existe que é semente mágica, isso sim!

feijao

Fim do mundo

Miguel, 8 anos, conversando com o pai:

– Pai, o mundo vai acabar um dia?
– Sei lá, mas acabar como, filho?
– Morrer, se destruir em vários pedaços…
– Mas aí nós iríamos morrer?
– Não pai, iríamos ficar flutuando no espaço até encontrar outro planeta para viver…
– Entendi. E qual planeta você queria viver?
– Não sei, mas Marte não dá pois é muito perto do Sol…. Hum, acho que iria querer viver em Saturno para poder patinar nos anéis!

Palavras do Theo

Theo, com 4 anos e 7 meses, continua suas descobertas acerca das palavras e da anatomia:

Em uma festa de aniversário, comendo um Sonho de Valsa:

– Bombom, hummm, é bom, bom… é… chama bombom porque é muito bom…

Conversando com sua mãe, depois do almoço:

– Então, depois que a gente mastiga, a comida desce  e vai pro estôgamo?

Antes de dormir, conversando com seu pai:

– Pode ir, pai, você esqueceu que eu já dórmo sozinho?

Túnel

Clara, com dois anos e pouco, conversando com a mãe…

Assistindo um clipe do Palavra Cantada:

– Mamãe, quem é esse?
– Você já sabe filha.
– É Arnaldo Antúnel, é??

Voltando de Bertioga, litoral de São Paulo:

– Mamãe, olha o túnel!
– Nossa que legal, né, filha?
– Mamãe, lá fora tá ispelando a gente. A gente já tá chegando…

tunnel

imagem: pixabay

história enviada pela Graziela

Palavrão

Théo, com 3 anos e pouco, dia desses surpreendeu sua mãe dizendo:
– BUNDA!
 Depois de uma leve repressão, ele se defendeu:
– Mamãe, mas BUNDA é um palavrão simples.

– Como assim, filho? Quem te falou essa história de “palavrão simples”- quis saber sua mãe.

– Eu, mamãe, porque tem outros palavrões que não são simples e são MUUUITO feios.

Com medo da resposta, ainda assim sua mãe perguntou:
– Quais por exemplo, Théo?
 
E ele prontamente repondeu:

CALABOCA. Calaboca é um palavrão não-simples!

As coisas

Nícolas, com 3 anos, em um momento reflexivo…

– Pai, por que as coisas só acontecem quando elas querem?

(eu também gostaria de saber 🙂

….

E querendo constatar o final da construção da sua casa no sítio, entrando no quarto que estava “de pé”, mas sem acabamento nenhum:

– Oba! Já tá tudo ponto, só faltam as coisas!

Pérolas do Joaquim

Joaquim tem quase cinco anos e muitas histórias pra compartilhar. Algumas de suas conversas já foram publicadas aqui. Ele também é irmão do Tomás e filho da Anne – querida parceira no Mamatraquinha… E para não sermos acusadas de nepotismo lá na página pública, vou fazer um post “colar de pérolas” pra enfeitar a página do Conversas de Gente Grande 🙂

 

Tatoo

tatoo

 

 

 

 

 

– Mãe, tatuagem não sai?
– Não sai.
– Como você fez para ela ficar aí para sempre?
– Eu fui num tatuador. Ele usa uma maquininha com agulhas, que coloca a tinta dentro da pele.
– Ah. Tá.

(um mês depois)

– Se a tinta está dentro da pele, como ela aparece para fora?

 

Existe pergunta depois da morte…

livros

 

 

 

 

 

– Por que o gato da vovó morreu?
A mãe já deu todas as explicações possíveis.
Ele quer aquela que ela não sabe responder – o que é morte, o que é vida…
então, resignada, ela responde:

– Não sei.
– Então pesquisa.

 

Sem luz, com lógica

escuro

 

 

 

 

 

– Mãe, eu não gosto de escuro.
– Por que filho?
– Porque não.
– Ah, mas “porque não” não é resposta.
– Então, porque sim.

 

Inseminação

sementes

 

 

 

 

 

– Mãe, eu já descobri por onde os bebês nascem!
– Sério filho? Por onde?
– Não é pela vagina, mãe.
– Então sai por onde?
– Pelo umbigo.
– Ah tá.
– Mas ainda não sei por onde entram.
(dias depois…)
– Mãe! Descobri como os bebês chegam nas barrigas das mães!
– Sério filho? Como eles chegam?
– Vocês comem sementes.

 

Irmão com restrição

proibido

 

 

 

 

 

– Joaquim, eu terei outro filho se vc me ajudar a cuidar.
– Tá bom. Mas não pode ser bebê e não pode ser menina.

 

Beatle Monkey

beatles_desenho

 

 

 

 

 

 

 

(foto arquivo pessoal, Anne Rammi)

– E esse é o John…?
– Lennon!!
– Isso meninos! E esse é o George…?
– Curioso!!!!

 

CNV.soquenao

karate

 

 

 

 

 

A mãe em uma tentativa falida de mediação de conflitos:

– Eu vou ter uma conversa muito séria com quem bater E com quem apanhar!

(Cara de mãe, mãozinha na cintura).

– Mamãe, sabia que o Tomás bate E apanha?

(Cara de malandro, dedinho na cara da Anne).

 

imagens diversas: pixabay.com

Barrigão

Com 5 anos, Cauã visitou seu padrinho, Pedro, que é casado com a Mariana, e que logo mais vai ser papai. Depois de curtir a barriga da Mariana, ele declarou:
 

– Quero ver logo a Manô de barrigão!

E, gritando para o outro lado da rua, onde estava seu pai, pediu:

– Papai, você pode por logo uma sementinha nesse teu bingulin?

– A sementinha já tá aqui, filho. – explicou o pai.
 
– Já? Já tem uma sementinha?
 
– Uma não, várias.
 
– Várias???? Duas?
 
– Não, Cauã, milhares.
 
– Milhares? (com olhos arregalados) Imagina o TAMANHO da barriga da Manô!!!

Diversas do Theo – 8

Theo, com 4 anos e 4 meses, em dois momentos das últimas semanas:

Na escola

– Theo, eu já pedi para você parar e eu não estou de brincadeira – diz a professora.

–  E eu também não estou de brincadeira, estou de… maldição! – responde o “príncipezinho”.

Passado um tempo, ela tenta ignorá-lo para ver se muda o foco, mas ele insiste em chamar a atenção com provocações…

– Theo, eu não estou conversando com você agora.

– Mas eu estou conversando com você! (pausa e mudança de expressão com um sorriso falsinho) – Oi, Grazi! Tudo bem?

Em casa

Com o pai, depois de irem juntos ao dentista:

– Pai, o seu médico de dentes queria ser médico de dentes quando era criança, né?
– Provavelmente sim, filho.
– E você, o que queria ser quando era criança?
– Ah, eu queria ser muitas coisas, algumas eu sou, outras não… eu já quis ser médico, médico de cachorro…
– Médico de cachorro? – interrompe Theo, achando muito engraçado. – Médico de cachorro não existe, né, pai? Você tá falando do veterinário?