Sinceridade familiar

Theo, com quatro anos e nove meses, brincando com o pai e apertando seu nariz:

– Ei, para com isso, você tá apertando meu nariz por que eu sou narigudo? – protesta o pai.
– Nãão, você não é narigudo, papai…

E o pai, por alguns segundos, sente que está fazendo sucesso, até que Theo completa:

– Narigudo você não é, papai, você é barrigudo…

E coversando com a mãe sobre o livro que ela acabara de receber da editora:

– Theo, você quer ver o livro da mamãe?
– Quero. (folheia). Foi você que escreveu e que desenhou?
– Não. Eu escrevi. Mas os desenhos, olha, foi uma amiga da mamãe que fez.
– Ah, bom. Porque você sabe escrever, mas não pinta muito bem, né?

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crédito da imagem: arquivo pessoal

Suco gelado, cabelo arrepiado…

Festa infantil. Cerca de 8 crianças entre 4 e 6 anos brincam de pular corda com dois animados monitores.

– Qual música você quer? – pergunta o monitor.

– Do cabelo arrepiado! – responde uma menininha que deve ter uns 5 anos.

– Tá bom, vamos lá: “Suco, gelado, cabelo arrepiado, qual é a letra do seu namorado? A, B, C, D…” – e assim ele foi cantando e a menina pulando, até que ela erra o salto e a letra “sorteada” é…

– U!!!

– “U”? Ixi, não conheço nome de namorado com “U”! – brinca a monitora.

– Urubu!! – tira sarro um menino de uns 6 anos.

– Não!! –  fica brava a menininha da corda – É o Uuuu… Uiliam!!

Kit de sonhos

Bate-papo entre irmãos caminhando no parque…

Ian, 5 anos:
– Theo, essa noite entrou um sonho novo no meu kit de sonhos!
Theo, 8 anos:
– É, que legal. Mas foi sonho ou imaginação?

– Foi sonho.

– Ah, legal.
– Tem uns sonhos que são pesadelos que ficam ocupando espaço.
– E por que você não tira?
– Porque eu não tenho a senha pra desinstalar!

Paternos

Theo, com 4 anos e 7 meses, durante o café da manhã:

– Sabe, tem gente que é tio e tem gente que é pai.
– É, tem gente que não tem filho, tem gente que tem sobrinho, mas também tem tio que depois de ser tio tem filho e vira pai também – complica sua mãe.
– Mas tem gente que nasceu pra ser tio e tem gente que nasceu pra ser pai. Eu nasci pra ser pai.
(e ponto final! :))

Luca, com 5 anos e 8 meses, viajando com a família:

– O que você quer ser quando crescer, Luca? Piloto? – pergunta sua avó.
– Eu quero ser pai – responde o outro paterninho.

Galinha

Ian e Clarice, 3 anos, passeando no Parque da Água Branca:

– Olha, Nham, uma galinha Langola!
– Não, Cali, é uma galinha Gangola!
Langola!
Gangola!
– Ah, cada um fala do seu jeito, né, Cali?!

(E seguiram passeando de mãos dadas)

galinhadangola(imagem: pixabay)