Ave Maria de Jobim

O pai de Bianca, de quatro anos e pouco, chegou em casa e encontrou a filha ajoelhada, com as mãozinhas unidas em oração. Achou um pouco estranho, já que esse não era um hábito da família, mas resolveu se aproximar em silêncio para não atrapalhar. Chegando mais perto, ele escutou a pequena falando baixinho:

– Ave Maria, cheia de graça, é ela a menina que vem e que passa, num doce balanço a caminho do mar.
oracao
(imagem: pixabay.com)

Diversas do Gael 2

Gael, agora com 2 anos e 5 meses, vai ganhar um cartão fidelidade aqui do blog 🙂

Empréstimo
Gael: – Esse mamá é meu!
Sua mãe: – Não senhor! Esse mamá é meu!
Gael: – Mai você empéta ele pa mim então?



Loiro bonitão
– Eu apaêço o Bed Pit. 


Crise de identidade
 – Eu um elfo piloto de banana!
  


Gerenciando as tarefas domésticas
– Filho quer descer, não vai mais comer?
– Não, eu não quélo mai papá.
– Tá bom, deixa eu te limpar…
Puquê?
– Porque você tá sujo, caiu comida aqui, olha.
Ímpa o Gael e ímpa a pia também!
 
 

Super poderes

Foi a primeira vez que Sofia, de dois anos e meio, viajou de avião. Antes do embarque, sua irmã mais velha, Mariana, finalmente concordou em explicar-lhe tudo sobre as “meninas super poderosas”: Florzinha, Docinho e Lindinha, não necessariamente nesta mesma ordem.
Sofia, muito feliz pelo novo aprendizado, concluiu, então, que ela também tinha super poderes. E foi do saguão do aeroporto até a entrada no avião dizendo em alto e bom som:
– Eu sou “podelosa”! Eu sou muito “podelosa”!!!
No momento da decolagem, sua mãe estranhou o súbito silencio que se instaurou, de repente. Durante praticamente todo o vôo, Sofia manteve-se quieta e atenta a tudo que acontecia.
No momento de retirar as bagagens, já em solo estrangeiro, a mãe de Sofia percebeu um semblante tristinho e perguntou:
– O que foi filha?
– Ah, mamãe, eu não sou muito “podelosa”, não…
– Não? E por quê?
– Porque eu não tenho “zazas”…

Casaco cardíaco

Miguel e Benjamim resolveram brincar de “o que é o que é” com a madrinha do Benjamim, Manoela.

Com 3 anos recém completos, Benja não conseguia muito participar do jogo, mas quis ficar assistindo. Já Miguel, com 5 anos, logo pegou o jeito de fazer adivinhas, mesmo depois do seu repertório ter acabado. 
Passado um tempo de brincadeira, olhando fixamente para o casaco da Manoela, o Miguel perguntou:


– O que é o que é, tá no corpo, mas abre de um jeito diferente?

E o Benjamim respondeu animado:
 

– Essa eu sei! É o colaxão!

Multiprofissional

Theo, com 4 anos e meio, mordeu feio a língua e ficou muito assustado com o sangue. Em meio a berros e mais berros, sua mãe conseguiu conversar pelo telefone com uma amiga médica, que recomendou paciência e gelo ou sorvete p/ aliviar no momento.

– Theo, vamos colocar gelo e… – tenta falar sua mãe.

– Nããão! – berra Theo.

– Theo, eu converesei com a Tati, já vai melhorar, precisa ter paciência e…

– Nããão! – berra Theo.

– Theo, a Tati falou pra gente colocar gelo… pode ser um sorvete também, vamos tomar?

– Nããão! (pequena pausa) Como ela sabe?

– Ela é médica, né, filho.

– Não, ela é bailarina!

– Não é a tia Tati, Theo. É a Tati mãe do Martin e ela é médica.

– Mas onde ela trabalha? (ainda em tom escandaloso)

– Ela trabalha em um posto de saúde… vamos tomar logo esse sorvete e…

– Mas ela tá lá agora?

– Não, Theo, ela tá em casa, toma logo o sorvete e…

– Nããão! Mas em casa ela não é médica, em casa ela é mamãe!!!