Limão com defeito

Carla, com 3 anos e pouco, sempre foi muito comportadinha, bem educada e também atenta a novas palavras e atitudes.

Certo dia, em um jantar com muitos membros da família, ela viu seu pai espremer um limão na salada e tentou fazer o mesmo. Mas o limão que Carla pegou estava seco e, então, ela pediu:

– Mamãe, pecisa de oto limão.

– Por que filha?

Poque esse aqui fudeu.

Cada um com a sua voz

Tsu é um menino bastante observador, que adora conversar e compartilhar suas opiniões.

Certa vez, quando estava com 3 anos e meio e participando de uma aula de música, ele ficou muito intrigado com o fato do professor estar rouco.

Ao longo das canções, foi ficando inconformado, até que perguntou, já tentando resolver a situação:

– Ô, Tanã, por que você não fala com a voz que é sua, hein?

Vida animal

Rodrigo, com 3 anos e meio, ouviu os tios conversando e começou a repetir dois palavrões: “Talaio” e “Biado”. Mesmo com a família ignorando, tentando mudar o foco, ele ficou por vários dias repetindo em diferentes situações:

Talaio! Biado! Talaio! Biado!

Tempos depois, sua mãe teve uma ideia e resolveu recorrer a um livro de animais para chamar a atenção de Rodrigo. Folheando as páginas, ela explicou:

– Olha, filho, sabe aquela palavra que você gostou? Tá aqui, ó: ve-a-do, é esse bichinho aqui, viu?

E Rodrigo, bastante interessado, completou:

– Vi, legal, e cadê o Talaio?

Brinquedos e brinquedas

A mãe de Artur, de 5 anos, conversou bastante com ele sobre questões de gênero, esclarecendo que brinquedo é brinquedo e não precisamos dividir “brinquedo de menina” e “brinquedo de menino”. 
Artur concordou com todas as colocações, mas no final da conversa, lançou:

– Tá bom, mamãe, entendi. Mas eu não quero nem passar batom e nem pintar a unha, tá?

Desafios da vida

Jéssica, que já passou um pouquinho dos trinta anos, teve um diálogo bem interessante com uma das crianças de seis anos do Instituto onde trabalha:

– Oi! Tudo bom? Meu nome é Jéssica e eu sou psicóloga.

– Oi! Tudo bem.

– Você sabe o que uma psicóloga faz?

– Não…

– Eu ajudo as pessoas. Posso ajudar a resolver problemas, por exemplo. Você tem algum?

– Sim! Eu não consigo passar de fase no meu jogo… Você me ajuda?

Deus digital

Artur, com 4 anos,  descobre uma nova interjeição:
 

– Meu deus!
 

– E tu por acaso sabe o que é deus? – quis saber sua mãe.

– O deus. – corrige Artur.


– Tá. O que que o deus faz?


– Ele forma pessoas.


– Ah, é? E como que ele faz isso?


– Assim (e faz uns gestos como quem está moldando massinha de modelar)… (pausa reflexiva)… Ou então, ele aperta uns botões.