Autonomia, mamãe!
Duas sobre Morangos
Carolina, de três anos, acompanha a segunda gestação de sua mãe. Certa vez, depois de almoçar bastante e de comer sobremesa, ela pergunta:
– Mamãe, tem um bebê na sua barriga, né?
– Tem, filha, tem um bebê, que é o seu irmãozinho.
Neste momento ela levanta a blusa e mostra o barrigão:
– Ah, na sua barriga tem bebê e na minha tem morangos!!!
…
Voltando do parque da Água Branca, passo por uma mãe e uma filha a caminho da feira de produtos orgânicos…
– Não, eu não quero comprar frutas! -diz a menina que deve ter uns dois anos e meio.
– Mas, filha, você gosta de frutas – insiste a mãe.
– Eu não gosto de frutas! – reafirma a menina.
– Gosta, filha, você gosta de morango e…
– Mas morango não é fruta!
– Não? Morango é o quê?
E com “ar de água na boca”, ela finaliza:
– Ah, morango é delícia!!!
Multilinguismo
Helena e a conjugação verbal
Brincando com bonecas:
– Preparem-se, vai começar a dança!
(pausa)
-Não, esperem-se!!
“Dedurando” o irmão mais novo:
– Mamãe, olha o que o Heitor fez…puxou da tomada….desapagou tudo!
Ave Maria de Jobim
O pai de Bianca, de quatro anos e pouco, chegou em casa e encontrou a filha ajoelhada, com as mãozinhas unidas em oração. Achou um pouco estranho, já que esse não era um hábito da família, mas resolveu se aproximar em silêncio para não atrapalhar. Chegando mais perto, ele escutou a pequena falando baixinho:
Japonês!
Diversas do Gael
Em uma conversa com seu pai:
– O Gael é homem.
– Eu não sô hóme, eu sô um elfo!
Na hora do banho:
– Então vamos! Você está tão sujo que eu vou te colocar de molho no balde! – diz sua mãe.
– Nããããoooo! – exclama Gael e, explicando a razão de seu descontentamento, completa:
– Não pode colocá môio no balde! Só no macauão!
E na hora do macarrão:
Sua mãe cozinhando e Gael sentado no banco, assistindo, sem parar de falar, de perguntar coisas. Em certo momento, ela já estava meio distraída e ele perguntou:
– E esse fogo, mamãe, tá aceso?
– Tá, filho – respondeu a mãe sem olhar.
– Esse, mamãe.
– Tá, filho, tá aceso.
Mas o fogo não estava, ele estava apontando para outra boca do fogão e sua mãe não viu.
Então, ele teve que explicar com mais ênfase:
– Não tá, não! Já ti faêi que não tá, mamãe!
– Mamãe, cadê a vovó Malia? – pergunta Gael.
– Foi viajar, filho. Com a Didi e o vovô. – responde sua mãe.
– Pá onde ela foi viajá?
– Pra Caldas Novas.
– Onde é Cazapoba?
– É uma cidade, filho… lá tem água quente.
– A vovó Malia quebô o chuvêio?
Entendendo o trabalho da mamãe
Depois de ver sua mãe durante uma hora fazendo embalagens para os DVDs dos seus clientes, Gael pergunta animado:
– Mamãe paô de bincá com cola?
Descobrindo os temperos da horta
– O que é isso, mamãe? É ceboinha? – quis saber Gael.
– Sim, essa aí é a cebolinha. – explica sua mãe.
– Gael pode comê?
– Só quando ela crescer mais. Ainda está pequenininha.
E, com cara de chateado, ele pede:
– Aaaaaahhhh, ceboinha! Quésce ógo!
E curtindo a história do ratinho e do morango:
– Mamãe, leia! – exatamente assim, com o verbo no imperativo.
Um dos livros era aquele do ratinho, do morango e do grande urso. No mesmo dia, coincidentemente, seus pais compraram morangos e, na manhã seguinte, Gael acordou todo feliz e foi correndo abraçar sua mãe. Ao perceber os morangos na cozinha, com a cara sapeca de quem está contando uma história, ele perguntou:
– Selá que o ússo vai pegá nosso moango? Selá?
No ritmo
A mãe de Eric, de 6 anos, ganhou uma máquina de lavar dessas bem antigonas, mas que ainda funcionava bem.
Logo que a máquina chegou, ela aproveitou para centrifugar umas roupas e foi arrumar outras coisas na casa. Quando voltou para a lavanderia, encontrou Eric parado e boquiaberto diante do eletrodoméstico.
– O que foi, filho, nunca viu uma máquina de lavar roupa? – perguntou a mãe.
E Eric respondeu, ainda impressionado:
– Que lava e dança, não!


