Sangue e ossos

Theo, continuando suas explorações anatômicas:

– Vamos brincar, pai? – convida o mocinho.

– Theo, o papai não pode brincar agora, porque ele tá com o dente sangrando. – explica sua mãe.

(pausa reflexiva)

– Ô mãe, o dente é feito de osso, osso não sangra!

– Tem razão, mas o dente fica na gengiva e a gengiva dele tá sangrando, porque o dentista mexeu lá e saiu sangue.

(nova pausa)

– E onde fica a gengívia? (coloca a mão) Aqui embaixo dos lábio?

Origem das palavras

João, com 5 anos, conversando com seu pai:

Olha papai, ligar e ligar, é igual!

– Como assim, filho?

– Você fala que vai ligar pra casa e também fala que quer ligar a televisão. É igual mas quer dizer outra coisa. Por que é igual?


– Eita… Eu não sei, mas tem gente que estuda um tempão etimologia, que é pra saber de onde as palavras vêm.


– Ué, não tem que estudar, elas vêm da boca!

O cocô nosso de cada dia…

E, além de fazer descobertas super importantes no banho, o Hugo também usa bastante o banheiro para fazer as necessidades básicas, claro. Com 5 anos, ele gostava de ficar um tempão sentado no vaso e lendo gibis. Um dia, sua mãe estava com pressa e perguntou:

– Já acabou, Hugo?

E ele, bastante calmo, explicou:
– Não, mamãe. Cocô nunca acaba. Amanhã tem mais.

Diversas do Vitor

Vitor  tem 3 anos e gosta muito de conversar com sua mãe:
Sobre fogos de artifício
– Mamãe, tem fogos lá fora. Eu seguro a sua mão pra você não ficar com medo.
– Ô, lindinho, obrigada, Vi! – responde a mãe, emocionada.
– Agora, a gente tem que conversar com o papai do céu, pra ELE tirar os fogos da nossa vida. Sabe como? Ele sempre faz umas magiquinhas…
Férias e saudades
– E aí Vião, tá gostando das férias?
– Tô sim, mamãe, tá muito legal. Mas falta uma coisinha.
– O quê?
– Você!!
 
Futebol
– Mamãe, nós vamos torcer para o azul ou para o brantu?
– O Corinthians é o branco e o Santos é o azul.
– Ah, então, o brantu vai ganhar e o azul é mau, né, mamãe?

Máquinas na pista
Sua mãe, com cara de quem vai ensinar mais uma:
– Vitor, olha aquele trator, que grande!
Ele, com cara de que a mãe está desatualizada:
– Não é trator aquilo mamãe, é guindaste!

Super herói
– Mamãe, você pega a minha fantasia de super-homem pra eu salvar todo mundo?

Mamãe Alien

– Mamãe, meu xixi é amarelo, né? E o seu? É verde?

Histórias da Mano

Manoela também coleciona histórias de crianças e compartilhou algumas aqui com a gente:

Certa vez, ela foi contar histórias para as crianças da primeira série de uma escola, que estavam estudando os contos de fada. Contou duas: um conto de fadas e um conto popular e, em seguida, propôs uma conversa:

– Essa segunda história é um conto de fadas?
– Nãããão! –  As crianças responderam
– Por que não?
E, então, um menininho se levantou e disse:
– Porque nela não tem mágica, só tem esperança.
Outro dia, em um buffet infantil onde Mano trabalhou, os monitores fizeram uma proposta: 
– Quem quer desenhar?
E um menino, chamado Caio e de 5 anos, respondeu sério com outra pergunta:
– Depende. É uma atividade?
– Como assim? – perguntou Manoela.
– Porque se for atividade eu não quero. Odeio atividade!

Auto controle

Eric vivia se metendo em encrencas. Com 5 anos, já havia sido convidado a se retirar de duas escolas anteriores. A coordenadora pedagógica da escola atual estava tentando uma abordagem diferente, insistia em manter conversas periódicas com Eric, dando espaço para ele falar mais, lembrando sempre que era importante que ele percebesse melhor seus sentimentos, que se controlasse e extravasasse a raiva de outras formas que não fosse batendo nos colegas.
Em um certo dia, Eric entra na sala da coordenação com o rosto bem vermelho e tentando respirar fundo.
– O que foi Eric? – pergunta a coordenadora preocupada.
– É que eu tô se controlando, tô se controlando!

Faltou o GPS

Theo, com 4 anos e 8 meses, resumindo a História do Brasil:

– Sabe, antes no Brasil só tinha os índios, aí vieram os porCugueses e pegaram a terra dos índios.

– É? – pergunta sua mãe, sem querer atrapalhar o raciocínio.

– É, mas, sabe, os porCugueses não sabiam onde era o Brasil, eles tavam tentando chegar na China e erraram o caminho… (e começa a rir sozinho)… ai, que perdidos!

Anel mágico

A Maíra, minha xará, tinha três anos e estava indo para a casa dos avós, quando ganhou um anelzinho regulável de sua mãe. Encantada com a novidade, a pequena achou o máximo controlar o tamanho do anel. 
 
E, assim que chegou na casa dos avós, ela fez questão de explicar:
 
– Vovô, olha que legal esse anel que minha mãe me deu! Ele nui e diminui!