Viagem astral

– Mãe, eu quero pisar na lua. – afirma Caio, com 4 anos e pouco, no carro com sua mãe.

– Ah, então você vai ter que virar astronauta. – explica a mãe.

– Quando eu tinha 2 anos, eu tinha um traje de astronauta. Eu era astronauta de verdade, andava de foguete…

– É mesmo? E pra onde você foi?

– Ah, eu fui para o espaço, pra Saturno…

– Nossa, pra Saturno? Que legal!

– É, só que lá era muito gelado… tive que levar muita roupa de frio. Tinha até pinguim! E urso polar. Aí eu fiquei com medo do urso polar, que queria me comer…

– Puxa, e o que aconteceu?

– Ah, eu corri muito e ele não me alcançou. Aí eu encontrei uma foca e entrei com ela na água.

– A água devia estar muito gelada, né?

– Não, porque a foca estava quentinha e eu mergulhei agarradinho nela… Aí eu entrei no foguete de novo e voltei pra este planeta onde estava antes. E encontrei você, o papai…

– Ah, entendi…

– Sabia que o piloto tinha o mesmo nome de mim? E ele cuidava de mim enquanto a gente estava no espaço!

Descrevendo

Sarah, com seis anos, conversando com sua irmã mais velha, Anna…

– Sarah, eu gosto do jeito que você descreve as coisas. – diz Anna.

– Mas eu não sei escrever! – estranha a pequena.

– Eu não disse escrever, disse descrever.

– É a mesma coisa!

– Claro que não! Sabe o que é descrever?

– Sei! Des-crever é igual a apagar!

 

lapisborracha

O bilhete

Theo, que nunca foi um exemplo de boas maneiras, ficou ainda mais difícil com a chegada do irmão.

Em um dia complicado, voltando da escola, segue o diálogo:

– Filho, está escrito aqui na sua agenda que você está mordendo os amigos… A gente já conversou sobre isso, né?
– Quem escritou isso?
– Sua professora.
Poquê?
– Porque eu pedi para ela me avisar quando acontecer alguma coisa que a gente precise conversar em casa. E não é legal morder os amigos. Você já sabe, você gosta que mordam você?
– Não!
– Então, os amigos também não gostam. Você vai parar de morder os amigos?
– Não! Eu vou pegá uma borracha e vou apagá esse bilete!

Cambueta!

Na brincadeira com o pai, Ian, com 2 anos e 7 meses, pula e cai de ponta-cabeça no chão de E.V.A.
– Tudo bem, filho? – pergunta o pai.
– Tudo bem. Eu fizi uma cambueta! – responde Ian.
Cambueta?
– É. Ingual aquela música: “Uma cambueta, duas cambuetas, bavão, bavão!

cambalhota
Ouça a música original aqui

Tênis poderoso

Luca, com 5 anos e 4 meses, quando ganha um tênis novo, gosta de perguntar:
– Qual o poder desse tênis? Correr muito rápido? Saltar muito alto?
Dia desses, ele ganhou um novo calçado de seu pai e, portanto, quis saber:
– Qual o poder deste tênis?

– De andar longas distâncias sem se cansar! – respondeu o pai orgulhoso.

Mas Luca precisou completar:

– Acho que ele tem também o poder de ser um pouco feio.

Correia dentada

– Gael, já foi escovar os dentes? – pergunta a mãe para o filho de três anos e 1 mês.
– Eu tô brincando com meu trator! – responde Gael.
– E o que o trator tem a ver com escovar os dentes?
– Éééé… Ele tem uma boca bem grande de pegar lama e terra!

tratorfonte imagem: www.daycoloringpages.com

 

Diversas do Theo 7

Theo, com 4 anos e 3 meses, conseguiu colaborar bastante com o blog semana passada:

Brincando de médico 

– Mãe, já sei, Raio X é um raio que faz xxxxiissss, né?

Na escola

Depois de levar uma “chamada” (merecida) da professora:
– Sabe, se eu fosse você eu não seria assim tão mandono. Não é legal ser tão mandono.


Entregando uma lembrancinha de dia dos professores:
– Eu trouxe um presentinho, eu escritei todos os nomes, bem coloridos.

No pátio:
– Theo, por que você está gritando? Parece uma arara. – diz a professora.
– Não pareço, não, eu sou um menino. Arara grita em “ararês”! – responde o rapazinho.

Caminhando com sua mãe

 – Mãe, eu quero ser motorista de táxi, né?
– É, você já me contou, motorista de táxi, médico e marceneiro, né?
– É, eu quero porque o motorista de táxi fica pra lá e prá cá, levando as pessoas… ele não tem casa, né?
– Tem, filho, ele trabalha dirigindo, mas quando acaba volta pra casa, como todo mundo que trabalha fora de casa.
– Ah, tá bom.

Alguns raríssimos momentos de silêncio depois, ele  volta com sua infinita busca por entender os dias:
– Mãe, que dia é hoje? É amanhã?
– De novo, filho? A gente já conversou tanto sobre isso… Hoje é hoje, hoje é sexta-feira, tá bom?
– Mas hoje é dia do pai, da mãe, da criança?
– Não, acho que hoje não é dia de nada dessas coisas, mas depois a gente pesquisa.
– Não é dia do professor?
– Não, já passou, lembra?
– E quando é o dia do motorista de táxi?