– Adoro você!
– Adoro você!
– Adoro você!
– Adoro eu mesmo!
Por Ana Saula
A Lúcia é prima do Hugo e, quando tinha uns dois anos, apaixonou-se por uma cor: a roxa.
Certa vez, ela chegou em casa enquanto a avó tricotava algumas roupas e pediu:
– Vó, compra um Palio Weekend roxo?
– Ih, Lúcia. Eu não tem dinheiro pra comprar um carro agora. – responde a avó ainda entretida no tricô.
E, respirando fundo para se conformar, Lúcia então finaliza:
– Tá. Então cutchura uma blusa roxa pra mim.
Theo, 4 anos e 4 meses, conversando com sua mãe:
– Theo, você lembra que a vovó pediu pra você ir lá ajudar a arrumar a casa?
– Lembro, eu nunca esqueço, sabe por quê?
– Por quê?
– Porque ficam passando uns sonhinhos na minha cabeça. Eu sonho até o que a gente vai fazer amanhã.
-Theo, você quer uma pizza de abobrinha ou de quatro queijos? – pergunta o pai para o rapazinho com quatro anos e nove meses.
-Eu quero uma pizza de trinta queijos… não! De quarenta queijos! Aliás, de cinquenta queijos!
E enquanto o pai pensava sobre o que leva um mocinho desse tamanho a dizer “Aliás”, Theo continua:
-Não, de cem queijos!… (para e pensa) … Pai, qual é o último número de todos?
crédito da imagem: Africa Studio
– É. Não pode fumar. – responde sua mãe.
– Ah, tá. [pequena pausa] É que nós não somos “ibidos”.
– Como é que é?
– Nós não somos “ibidos”, mãe. Nós somos humanos.
Hugo, com 6 anos e após uma longa e profunda reflexão:
– Mãe, eu acho um absurdo o universo ser infinito!