Reflexões matinais

Theo, com 5 anos e meio, ainda na cama com suas reflexões matinais e conversando com a mãe cheia de sono:
– Mãe, pra que servem os números? Pra contar as coisas?
– Sim.
– E pra que servem as tintas? Pra pintar as coisas?
– Sim.
– E pra que servem as letras? Pra escrever as coisas?
– Siiim…
(Falando e rindo sozinho) – Ai, ai, ai… Quanta coisa cabe na minha cabeça!

Depois do café da manhã, ele foi ver uma semente que achou na floresta e plantou com o pai:
– Nossa! Nasceu um galho! Bem grande!
– É grande mesmo e cresceu muito rápido! Acho que essa semente é de uma planta igual ao pé de feijão mágico e vai chegar na casa do gigante, hein, Theo?
– Ahhh, mãe, isso não existe… mas existe que é semente mágica, isso sim!

feijao

Futebol geográfico

O Pedro, com 3 anos e meio, estava em Florianópolis conversando com o Jairo, amigo da sua mãe, e resolveu contar algo que estava acontecendo na sua casa. Para entender melhor, o Jairo pergunta:

– Lá em São Paulo, Pedro?

De repente, ele fica muito bravo e responde:

– Nããão, Xão Paulo, não!

– Ué, mas como é o nome da sua cidade, então? – quis saber Jairo.

Nessa hora a cara feia desaparece, ele abre um sorrisão e diz:

Corinthiaaassss

Diversas do Lúcio

Lúcio tem dois anos, mas nos surpreende com sua capacidade linguística e com a sensibilidade e delicadeza que permeiam seus comentários…


… na rua, indo para a aula de canto com bebês:
– Oi pombinha, tudo bem? A gente vai pro coral, sabia? Sabia??… Eu sabio!!!


… no Jardim Zoológico, feliz em ver um macaco diferente:
– Olha, um Morangotango!!!


… em casa, com um brinquedo aparentemente quebrado:
– Mamãe, esse não sanfonia?

Das finitudes do mundo

Theo, com 6 anos e 4 meses, filosofando logo de manhã…

– Mãe, vou te falar uma coisa: o mundo não tem fim, a gente sim!

– Que legal, filho. Onde você ouviu essa frase?

– O que é frase?

– Isso que você falou, onde você ouviu?

– Ah, não, eu não ouvi em nenhum lugar, eu formei na minha cabeça agora.

 

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imagem: Pixabay

 

Alta estima (ou “ninguém tem um filho mais leonino do que eu”)

Família brincando no tatame do quarto; um abraça o outro, todos abraçam todos. Theo, com 4 anos e 8 meses em um dia bem humorado, distribuiu muitos beijinhos e abraços entre o pai, a mãe e o irmãozinho. Até que se empolgou e, entre um carinho e outro, declarou animado:

– Adoro você!
– Adoro você!
– Adoro você!
– Adoro eu mesmo!
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Ilustração especialmente feita para o Blog!
Por Ana Saula

A vida e o planeta

Theo, com quatro anos e um mês, em uma conversa no carro passando por uma praça cheia de cachorros:

– Theo, sabia que o papai já teve uma cadela dessa que se chamava Cocada? – conta sua mãe depois de ver um Husky Siberiano.

– É? Mas onde ela está?

– Ela já morreu – explica o pai.

– Por que os cachorros morrem?

– Porque são animais, como as pessoas, nascem, vivem, morrem, é a vida… – filosofa um pouco a mãe.

– Tudo bem… (pausa reflexiva)… Mas, mãe, como é que começou o planeta Terra?