Mil folhas (de queijo)

-Theo, você quer uma pizza de abobrinha ou de quatro queijos? – pergunta o pai para o rapazinho com quatro anos e nove meses.

-Eu quero uma pizza de trinta queijos… não! De quarenta queijos! Aliás, de cinquenta queijos!

E enquanto o pai pensava sobre o que leva um mocinho desse tamanho a dizer “Aliás”, Theo continua:

-Não, de cem queijos!… (para e pensa) … Pai, qual é o último número de todos?

 queijo-546x210crédito da imagem: Africa Studio

Porque, Porque, Por quê?

Mattias, descobrindo os porquês…
– E por que, mãe?

– Por que tá inverno?

– Por que o jacalé é cainívolo?

– Por que a malé tá cheia?

– Por que a Côli tá tão goiducha?

– Por que a Matilda tem rabo?

– Por que não vai chover hoje?

-Filho, melhor deixar essa faca quieta.
-Por que, mae? Será que ela fala?

Semente da coragem

Clara, com quatro anos e pouco, não conseguia se pendurar numa corda amarrada na árvore. Seu pai apareceu mexendo num potinho de sementes como se não soubesse de nada e disse:

– Olha essas sementes, Clara… Dizem que são muito poderosas… Quando alguém te dá uma, você consegue coragem para fazer qualquer coisa que tem medo… É só pedir! – e entrega a semente para a filha.

Clara, então, pega a corda, segura no nó mais alto, pega distância e pula balançando deliciosamente pendurada… Desce com um sorrisinho de canto e finge que nada aconteceu. Sua mãe observava tudo à distância.

Uma semana depois, todos foram passear em um parque com escorregadores enormes (que chegam perto “do” Deus, como Clara gosta de dizer). A pequena mostrou-se destemida! Subiu, desceu, correu… ufa! Voltando para casa, sua mãe pergunta:
-Nossa filha, hoje você arrasou, estava muito corajosa, muito bom! Você recebeu a sementinha da coragem de novo?

E Clara explicou:
-Não mamãe… ainda é o efeito da mesma!

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(imagem: pixabay.com)

 

Sinceridade familiar

Theo, com quatro anos e nove meses, brincando com o pai e apertando seu nariz:

– Ei, para com isso, você tá apertando meu nariz por que eu sou narigudo? – protesta o pai.
– Nãão, você não é narigudo, papai…

E o pai, por alguns segundos, sente que está fazendo sucesso, até que Theo completa:

– Narigudo você não é, papai, você é barrigudo…

E coversando com a mãe sobre o livro que ela acabara de receber da editora:

– Theo, você quer ver o livro da mamãe?
– Quero. (folheia). Foi você que escreveu e que desenhou?
– Não. Eu escrevi. Mas os desenhos, olha, foi uma amiga da mamãe que fez.
– Ah, bom. Porque você sabe escrever, mas não pinta muito bem, né?

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crédito da imagem: arquivo pessoal

Diversas do Vitor

Vitor  tem 3 anos e gosta muito de conversar com sua mãe:
Sobre fogos de artifício
– Mamãe, tem fogos lá fora. Eu seguro a sua mão pra você não ficar com medo.
– Ô, lindinho, obrigada, Vi! – responde a mãe, emocionada.
– Agora, a gente tem que conversar com o papai do céu, pra ELE tirar os fogos da nossa vida. Sabe como? Ele sempre faz umas magiquinhas…
Férias e saudades
– E aí Vião, tá gostando das férias?
– Tô sim, mamãe, tá muito legal. Mas falta uma coisinha.
– O quê?
– Você!!
 
Futebol
– Mamãe, nós vamos torcer para o azul ou para o brantu?
– O Corinthians é o branco e o Santos é o azul.
– Ah, então, o brantu vai ganhar e o azul é mau, né, mamãe?

Máquinas na pista
Sua mãe, com cara de quem vai ensinar mais uma:
– Vitor, olha aquele trator, que grande!
Ele, com cara de que a mãe está desatualizada:
– Não é trator aquilo mamãe, é guindaste!

Super herói
– Mamãe, você pega a minha fantasia de super-homem pra eu salvar todo mundo?

Mamãe Alien

– Mamãe, meu xixi é amarelo, né? E o seu? É verde?

As coisas

Nícolas, com 3 anos, em um momento reflexivo…

– Pai, por que as coisas só acontecem quando elas querem?

(eu também gostaria de saber 🙂

….

E querendo constatar o final da construção da sua casa no sítio, entrando no quarto que estava “de pé”, mas sem acabamento nenhum:

– Oba! Já tá tudo ponto, só faltam as coisas!

Suco gelado, cabelo arrepiado…

Festa infantil. Cerca de 8 crianças entre 4 e 6 anos brincam de pular corda com dois animados monitores.

– Qual música você quer? – pergunta o monitor.

– Do cabelo arrepiado! – responde uma menininha que deve ter uns 5 anos.

– Tá bom, vamos lá: “Suco, gelado, cabelo arrepiado, qual é a letra do seu namorado? A, B, C, D…” – e assim ele foi cantando e a menina pulando, até que ela erra o salto e a letra “sorteada” é…

– U!!!

– “U”? Ixi, não conheço nome de namorado com “U”! – brinca a monitora.

– Urubu!! – tira sarro um menino de uns 6 anos.

– Não!! –  fica brava a menininha da corda – É o Uuuu… Uiliam!!

Novos doces

No Natal, Theo (ainda com 4 anos e 5 meses) comeu muitos doces e também tomou Sol:
Na beira da piscina:
– Mãe, eu comi aquele doce que a Monique colocou na churrasqueira!
– Qual?
– Aquele branquinho, o Marchinelo!
– Nossa, como a Giovanna tá branquinha, né, Theo? – observa sua tia.
– Por que ela tá tão branquinha? – quis saber Theo.
– Ah, acho que é porque ela toma muito leitinho…
– Ah…
(pausa reflexiva)
– E você, tia Fátima, você tá bem pretinha, então você toma leite com Mescau?

Na hora do jantar, cheio de frescura:

– Mãe, não coloca comida no meu prato, não. Você deu aquele doce pro Ian e agora sua mão tá com esse cheiro bananesco, eca!