Super poderes

Foi a primeira vez que Sofia, de dois anos e meio, viajou de avião. Antes do embarque, sua irmã mais velha, Mariana, finalmente concordou em explicar-lhe tudo sobre as “meninas super poderosas”: Florzinha, Docinho e Lindinha, não necessariamente nesta mesma ordem.
Sofia, muito feliz pelo novo aprendizado, concluiu, então, que ela também tinha super poderes. E foi do saguão do aeroporto até a entrada no avião dizendo em alto e bom som:
– Eu sou “podelosa”! Eu sou muito “podelosa”!!!
No momento da decolagem, sua mãe estranhou o súbito silencio que se instaurou, de repente. Durante praticamente todo o vôo, Sofia manteve-se quieta e atenta a tudo que acontecia.
No momento de retirar as bagagens, já em solo estrangeiro, a mãe de Sofia percebeu um semblante tristinho e perguntou:
– O que foi filha?
– Ah, mamãe, eu não sou muito “podelosa”, não…
– Não? E por quê?
– Porque eu não tenho “zazas”…

Inspirações do Miguel

E o Miguel continua inspirado em suas reflexões sobre a vida, Deus e outras “cositas más”…
Dia desses ele acordou e, antes mesmo de escovar os dentes, explicou para seus pais:
“Não se preocupem com o serêm, tudo será, tudo vem”. 
 

No mês passado, percebeu uma bonita relação na fauna que nos rodeia e lançou a ideia:

“Na terra vivem os tatus, na vida vivem as borboletas, os passarinhos e as águias”.
E, certa noite, ficou pensativo e fez um convite para sua mãe:
 
– Mãe, um dia, quando tiver de noite, a gente pode ir lá fora ver se Deus manda gases pra gente?
 
-Manda gases? – quis entender a mãe.
– É, lembra um dia que a gente foi no sitio da Sissi e Deus mandou gases pra gente que explodiam no céu assim: pow, pow, pow! E era colorido!

No ritmo

A mãe de Eric, de 6 anos, ganhou uma máquina de lavar dessas bem antigonas, mas que ainda funcionava bem.

Logo que a máquina chegou, ela aproveitou para centrifugar umas roupas e foi arrumar outras coisas na casa. Quando voltou para a lavanderia, encontrou Eric parado e boquiaberto diante do eletrodoméstico.

– O que foi, filho, nunca viu uma máquina de lavar roupa? – perguntou a mãe.

E Eric respondeu, ainda impressionado:

– Que lava e dança, não!

Tarefa lusitana

Joaquim, com quatro anos e dois meses, procurando um brinquedo:

– Mãe, onde está o meu cavalo?
– Filho, eu não sei.
– Mas onde você guardou?
– Eu não guardei nenhum brinquedo. Essa tarefa está nas suas mãos.

(Joaquim olha apavorado para as mãos)

– Não tá! Não tá, mãe, olha!!!

maos

(imagem: pixabay.com)

 

Diversas do Ian

Nos últimos dois anos, o Ian (hoje com 4 anos e 10 meses) teve boas conversas em casa. Compilando as publicações da TL de seu pai, surgiu uma divertida coletânea por aqui 🙂

O pai do Ian começou a cursar uma faculdade de medicina e ele aproveitou para sanar suas dúvidas:

Mexendo na mão…
-Pai, você já aprendeu na escola de médicos como as partes do corpo ficam coladas?
-Como assim, coladas?
-Ué, meu dedo tá colado na mão, que tá colada no braço. Nunca percebeu, pai?

Tirando uma casquinha do braço…
– Pai, você lá na sua escola de médico já aprendeu a cuidar desse tipo de dodói?

Durante um estudo de neuroanatomia no computador, ele quis saber:
– Pai, o que é isso? É um ‘célebro’?
– Sim, filho.
– Sabe quem gosta de ‘céleblo’? Zumbi.
– Zumbi?
– Zumbi, sabe? Zumbi é como uma múmia. Ele anda assim… (vai andando com as pernas duras e mãos estendidas). A diferença é que zumbi gosta de comer ‘célebro’ e múmia não, só fica dormindo dentro das pirâmides.

Ele também fez algumas gracinhas na hora do banho:
– Já acabou de se lavar, filho?
– Não, falta o bumbum e o pintóvski.

E, num domingo pós viagem, deu seu veredito final:
– Pai, eu queria que amanhã “sesse” outro feriado!

Suas escolhas alimentares foram ecléticas:
– Ian, você vai comer só batata? Não vai comer franguinho? – perguntou o irmão.
– Não, Theo. É que hoje eu virei herbívoro.
– Você sempre vira herbívoro no dia da batata frita, né, Ian?
– É, Theo. Você sabe que eu gosto de ser herbívoro.
– E no dia que tiver lula fritinha?
– Aí eu viro carnívoro. Qual o problema?

E esperando o Pokemon Go carregar… de repente, ele deu um berro:

– OLHA PAI! Tem o meu nome aqui embaixo do balãozinho! Ele sabe que sou eu!

 

Ian passou por uma fase em que falava “Nossa!” para tudo. Um dia, seu pai chegou em casa depois de 12 horas na rua e o pequeno não teve piedade:
– NOSSA, pai!
– Que foi?
– Como você tá fedido!

Na escola, esteve empenhado nos desenhos:
– O que você fez hoje, filho?
– Foi muito legal, cada pessoa podia pintar o que quiser. A minha amiga Diana pintou uma flor!
– E você, Ian?
– Eu pintei uma pessoinha que sonhou que estava dentro do redemoinho de um furacão!

Com 3 anos e 9 meses, voltou do supermercado explicando:
– Oi mãe, olha, eu compLei só tLêis goLoLobas, tá?

Também conversou com o irmão sobre uma música da Marisa Monte:
– Eu não ‘lembo’ a música que a gente está aprendendo para a mamãe, Theo…
– Não é aquela do “Amor Alô Viu?”

 

Também refletiu sobre as relações parentais:
– Pai, vamos brincar de família lobo? Eu sou o filhinho lobo e você é a mamãe lobo.
– Mamãe?
(Ele pensa, diplomático)
– É que lobo não precisa muito de pai, né?

E sobre a organização alimentar:
– Pai, o jantar é um tipo de almoço, não é?

Um dia deixou uma pilha de brinquedos jogados no chão e seu pai perguntou:
– Quem fez essa bagunça?
– Fui eu.
– E quem vai arrumar?
– Pode ser você?

No processo de desfraldamento, anunciou:
– Pai, acho que escapou um xixi…
– Deixa eu ver… é filho, escapou muito.
– Por que escapou xixi?
– É porque você não tá prestando atenção no seu corpo?
(ele pensa)
– Tô sim, pai. Meu corpo tá cheio de xixi.

Com 2 anos e 9 meses, assistiu um jogo de futebol na TV. Seu irmão, Theo, ficou tagarelando ele se esforçou para entrar na conversa, sem muito sucesso. Até que… Theo perguntou:
– Mas o jogo é aqui no clube?
– Não, esse é no estádio do Sport – respondeu o pai, que ainda ía explicar onde fica o estádio, mas foi interrompido pelo pequeno que declarou com muita ênfase:
– Nãããão, é no “estádios unidus”, né, “genti”?!

E, pra terminar, com 2 anos e 4 meses, o pequeno divertiu a família toda com novas pronúncias da Língua Portuguesa:

galinha preta com bolinhas brancas = Galinha Gangola
onde fazemos compras – Fimicado
onde comemos de vez em quando = Vistaulante
o que comemos depois do jantar = Fubimesa
o que não faz bem pra nossa saúde = Pucalía
para subir no nosso apartamento, a gente usa o… Vilador
o que protege os nossos pés = Satapo
objeto que ajuda a enxergar melhor = Lóculos
o que gostamos muito de ouvir aqui em casa = Múcasa
quando estamos cansados, a gente pode… Vilaxá
e podemos deitar na… Alfumada
a mamãe precisa sair pra… Pataiá
antes de ser adulto a gente é… Quilança

O bilhete

Theo, que nunca foi um exemplo de boas maneiras, ficou ainda mais difícil com a chegada do irmão.

Em um dia complicado, voltando da escola, segue o diálogo:

– Filho, está escrito aqui na sua agenda que você está mordendo os amigos… A gente já conversou sobre isso, né?
– Quem escritou isso?
– Sua professora.
Poquê?
– Porque eu pedi para ela me avisar quando acontecer alguma coisa que a gente precise conversar em casa. E não é legal morder os amigos. Você já sabe, você gosta que mordam você?
– Não!
– Então, os amigos também não gostam. Você vai parar de morder os amigos?
– Não! Eu vou pegá uma borracha e vou apagá esse bilete!

A chegada da Primavera

Quando estava na primeira série Amanda levava muito em consideração tudo o que a professora dizia.
Certo dia, no mês de setembro, seu pai disse que eles viajariam e a mocinha, muito preocupada, disse logo:
– Não, pai, a gente não pode viajar!

– E por que não, filha?

– Porque a professora disse que nós temos que nos preparar pra chegada da Prima Velha!

Dodói

Tomás tem dois anos e uma vez tomou picadas de uma formiguinha muito chata. Depois de chorar um pouco, brincou com a sua mãe de matar as formigas (imaginárias) que picam.

Passado algum tempo ele mostrou um machucadinho que tinha na testa e sua mãe falou:
– Ai, filho, quer que eu dê um beijinho para sarar o dodói?
Mas isso não era mais suficiente, então, ele respondeu:
– Não, mamãe, eu quero que você “mata” o dodói!

Reciclável

Letícia, com 3 anos e 5 meses,  contando para sua mãe como foi o dia na escola:

– Mãe, a Maria Rosa e a Tamar queria me jogar no lixo. 

– De verdade filha? Ou elas estavam de brincadeira? 

– De verdade mamãe! (Fazendo sim com a cabeça e com os olhos esbugalhados)

– Mas não dá né filha…

E após uma breve reflexão, Letícia concluiu:

– É verdade… presisa amassar, fazer uma bolinha e depois me jogar, né?