Super poderes
Foi a primeira vez que Sofia, de dois anos e meio, viajou de avião. Antes do embarque, sua irmã mais velha, Mariana, finalmente concordou em explicar-lhe tudo sobre as “meninas super poderosas”: Florzinha, Docinho e Lindinha, não necessariamente nesta mesma ordem.
Sofia, muito feliz pelo novo aprendizado, concluiu, então, que ela também tinha super poderes. E foi do saguão do aeroporto até a entrada no avião dizendo em alto e bom som:
– Eu sou “podelosa”! Eu sou muito “podelosa”!!!
No momento da decolagem, sua mãe estranhou o súbito silencio que se instaurou, de repente. Durante praticamente todo o vôo, Sofia manteve-se quieta e atenta a tudo que acontecia.
No momento de retirar as bagagens, já em solo estrangeiro, a mãe de Sofia percebeu um semblante tristinho e perguntou:
– O que foi filha?
– Ah, mamãe, eu não sou muito “podelosa”, não…
– Não? E por quê?
– Porque eu não tenho “zazas”…
Fralda noturna
Sinceridade master
Téo, com 5 anos, foi visitar seu bisavô, que, todo orgulhoso, quis mostrar o quartinho de ferramentas para o bisneto. Durante a visita, o biso perguntou:
– E aí, o que achou, Téo?
E ele respondeu:
– Nossa… quanta coisa velha!
Outro dia, Téo chegou bem na hora da soneca do biso e logo falou:
– Você só nana? Vai trabalhar!
Self-service
Lucas é um menino bastante precoce e extremamente inteligente. Alfabetizou-se com quatro anos e meio e, aos cinco, dizia coisas que ninguém acreditava (como perguntar à professora se ela irá distribuir os desenhos “aleatoriamente” para os alunos).
Certa vez, após uma brincadeira de “restaurante”, uma colega de classe perguntou:
– Professora, o que é self-service?
Antes mesmo de a professora conseguir pensar na melhor forma de responder a pergunta, ele já falou com um tom de “mas isso é tãããõ óbvio”:
– Self-service, oras, você serve-se a si mesmo!
Multilinguismo
Desde que tinha seis anos de idade, Julia tem aulas de Inglês, Francês e Espanhol na escola.
Agora, aos sete, ela já se arrisca mais com os diálogos e está animada com as novas aprendizagens.
Sabendo de seu gosto por participar, a professora de Francês aproveitou para trabalhar um novo conteúdo, perguntando-lhe:
– Julia, aimes tu l´orange?
Sem pestanejar e muito animada por ter entendido tão rápido o que sua professora queria saber, ela responde:
– Si, je love!!!
Galinhas e Cavalos
Ian, com 1 ano e 5 meses, quando vê uma galinha:
– Cocó!
E quando vê um cavalo:
– Pococó!
Vagem mãe
Clarice, com 2 anos e 2 meses, comendo vagem e filosofando durante o almoço:
– A vagem é a mamãe… e o feijãozinho é o filhote bem pequenininho…
Mamíferos
João e Rafael estudam na mesma escola desde um ano de idade. Neste semestre eles estão aprendendo a ler e a escrever e João está muito animado com isso.
Um dia, durante uma aula na biblioteca, Rafael resolveu pegar um livro sobre os animais mamíferos.
– M-A-M-I-F-E-R-O-S – decifrou concentrado.
– Você sabe o que “é” mamíferos? – perguntou João.
– Não. Você sabe?
– Não, mas vou ler.
Ele pegou o livro e abriu em uma página com a ilustração de uma baleia.
– M-A-M-I-F-E-R-O-S – e continuou falando como se estivesse lendo – Mamíferos “é” um peixe gordinho, que tem a boca grande e que tem pipi. Entendeu??
Bicho papão
A terapeuta de Sofia costuma aproveitar os assuntos de interesse das crianças para conduzir alguns trabalhos. Ao perceber que Sofia gostava muito do tema “Harry Potter”, ela resolveu assistir uma cena do filme (onde um “bicho-papão” se transforma no que as crianças mais têm medo) para, se possível, engatilhar uma conversa posterior. Terminada a cena ela comenta:
– Que coisa, né? Esse bicho-papão, então, é um bicho que vive dentro do armário e, quando sai, se transforma exatamente no que a gente mais tem medo… Para o Rony (personagem do filme), ele se transformou em uma aranha gigante… e para você no que ele se transformaria?
– Não sei.
– Não sabe? Ah, mas é só lembrar de alguma coisa que você tem medo de vez em quando. Você não tem medo de nada?
– Não sei.
– Não sabe ou não tem medo?
– …
– Pensa bem Sofia, pode ser alguma coisa que você não goste… No que poderia se transformar o bicho papão quando ele saísse do seu armário???
– Bom… ele podia se transformar numa pessoa que fica fazendo perguntas!

