Palavras…

Theo, com 3 anos e 10 meses, desvendando o “mistério” das palavras:

 Falando sobre aquele eletrodoméstico que nos ajuda a fazer sucos e panquecas:
– O liquidificador é o liquido-e-fica-a-dor, entendeu?

Falando sobre aquele eletrodoméstico que nos ajuda a limpar a casa:
– E o aspirador aspira-a-dor!

Ajudando o pai a instalar uma prateleira:
– Vou pegar o paraconfuso!

Pais e filhos… e irmãos… e mães…

Theo, com 3 anos, conversando com o pai na hora de dormir:
 

– Pai, quantos “irmões” você tem?
– Três, filho.
– É “muitos irmões”, né pai?
– Não, é bom ter irmãos.
(silêncio, o pai ainda na esperança que ele adormeça…)
– E quantos filhos você tem?
– Dois, você e o Ian.
– Não é muito dois filhos, né, pai?
– Por enquanto está bom, Theo. Dorme.
(mais silêncio)
– Pai… e por que você só tem uma mulher? Não quer ter duas também?




E alguns meses depois, logo ao acordar:

– Pai, o Ian é bebezinho, né?
– É, filho. Mas ele tá crescendo, né?
– É, ele era mais bebezinho pequenininho. Agora ele meninou um pouco.

Buraquinho

Clara com 2 anos e pouco, explorando sua propria orelha…

 – Mamãe, minha orelha quebrou!

 – Imagina filha, mostra pra mim…
(Clara mostra o buraquinho do ouvido)

– Ah filhota, é só o buraquinho da orelha, todo mundo tem.

 – Mamãe, deixa eu ver seu buraquinho? O papai também tem buraquinho?
orelha
(história enviada pela Graziela)

Corpo briguento

Além de cozinhar, o Miguel também gosta de brincar com seu irmão, Benjamim. Mas, como geralmente acontece nas melhores famílias, as vezes eles se desentendem e precisam explicar para os pais o que aconteceu…

Dia desses, a mãe dos meninos estava arrumando algumas coisas enquanto eles brincavam e, de repente, ouve um choro forte. Quando vê que é o Benjamin quem está chorando, logo quer saber:

– Migue-el, o que aconteceu?

E o Miguel dá a explicação:

– Nada, mamãe… (pausa)… Foi só uma parte do meu corpo que machucou o meu irmão!

(Se ele tivesse conversado com a Sofia, poderia tentar a história do carinho rápido, né?)

O que é importante

Na escola de Felipe, em todo início de ano, são feitas algumas listas com as crianças, registrando “o que vamos aprender”, ou simplesmente as “regras gerais” combinadas previamente com os alunos, desde os três anos de idade.
Foi em um momento de retomada de uma dessas listas que a professora de Felipe falou:

– Então pessoal, vamos lembrar os nossos combinados?

1) Levantar a mão para falar”.

2) Ouvir o que o amigo diz, em silêncio” – Isso é muito importante, não é pessoal?

– SIM! – respondem todos animados.

– Bom, vamos continuar:

3) Lavar as mãos antes de tomar o lanche”. Isso também é importante?

– SIM – novamente em uníssono…

– 4). Ah, essa também é muito importante. “Não bater no amigo”.

Neste momento, Felipe levanta a mão, demonstrando muita ansiedade para falar.

– O que foi Felipe, você quer falar alguma coisa?

– Professora, sabe o que é muito importante nessa vida?

– O quê?

– O que é mais importante, é não levar chineladas!

Cura fraternal

Bebel, com 5 anos e pouco, ficou gripada e sua mãe pediu pra que não fique muito perto da irmã bebê.
 
– Se você ficar respirando muito perto, vai passar a doença pra ela. – explica sua mãe.

– Mas mamãe, se eu passar a doença pra ela, aí eu não vou mais estar doente! – anima-se Bebel.

Do contra total

Diálogo na casa da Bebel, quando ela tinha 1 ano e 8 meses:
Mãe: – Bebel, quer passear?
Bebel: – Passear, não.

Pai: – Quer ficar em casa?

Bebel:  – Em casa, não.
Mãe: – Quer dormir?
Bebel: – Dormir, não.
Pai: Quer brincar?
Bebel: Brincar, não.

Mãe: – Mas você só fala não? Fala “sim” também!

Bebel: Sim, não!

Ave Maria de Jobim

O pai de Bianca, de quatro anos e pouco, chegou em casa e encontrou a filha ajoelhada, com as mãozinhas unidas em oração. Achou um pouco estranho, já que esse não era um hábito da família, mas resolveu se aproximar em silêncio para não atrapalhar. Chegando mais perto, ele escutou a pequena falando baixinho:

– Ave Maria, cheia de graça, é ela a menina que vem e que passa, num doce balanço a caminho do mar.
oracao
(imagem: pixabay.com)