Roxo

A Lúcia é prima do Hugo e, quando tinha uns dois anos, apaixonou-se por uma cor: a roxa.
Certa vez, ela chegou em casa enquanto a avó tricotava algumas roupas e pediu:

– Vó, compra um Palio Weekend roxo?

– Ih, Lúcia. Eu não tem dinheiro pra comprar um carro agora. – responde a avó ainda entretida no tricô. 

E, respirando fundo para se conformar, Lúcia então finaliza:

– Tá. Então cutchura uma blusa roxa pra mim.

Idioma universal

A Bebel sempre foi conversadeira e, mesmo antes de aprender as palavras da Língua Portuguesa, já se comunicava com longos discursos no idioma dos bebês – o que seus pais batizaram de “bebeiês”.
 
Com dois aninhos e já craque no vocabulário brasileiro, ela viajou com os pais para Paris e se interessou bastante pelo idioma estrangeiro.

Tanto que já na primeira vez que vieram falar com ela em francês, ela respondeu sem inibição algo do tipo:

Badagu Loguiaxi blefxianhiem

E quando sua mãe perguntou o que eles estavam falando, a pequena respondeu com aquela carinha de “como assim? Você não percebeu???”:

Bebeiês, mamãe!

Histórias de Clarice…

Transcrevo aqui dois registros encantadores retirados do caderno de Clarice Lispector…
“1954 – no aeroporto quando íamos de férias para o Rio, ele vê uma menina e me diz furtivo, afobado:
– Olha, uma menina bonita!
Ficou agitadíssimo e disse:
– Mamãe, quando eu vejo uma moça eu até sinto o cheiro do meu paninho! (o pedaço de pano com que desde que nasceu, ele dorme. Quando o pano era lavado ele reclamava a ausência de cheiro. Uma vez disse: mamãe, o paninho tem cheiro de mamãe!)”
“Pedro.
– A palavra “palavra” é ex-possível!
– Ex-possível?
– É! Gosto mais de dizes ex-possível do que impossível! A palavra “palavra” é ex-possível porque significa palavra.”
LISPECTOR, Clarice. Outros Escritos (Organização de Teresa Montero e Lícia Manzo). Rio de Janeiro: Rocco, 2005.

 

Apostas e Rock and Roll

Miguel tornou-se um frequente colaborador do blog (eba!) e semana passada envolveu-se com jogos de aposta e músicas barulhentas:

Corrida
– Mamãe, vamos apostar corrida? – pergunta o rapazinho.
– Não, filho, a mamãe está com preguiça.
– Mas então, vamos correr sem apostar?

Rock pesado
No meio da brincadeira, Miguel começou a gritar e fazer gesto com a mão na altura da barriga, como quem toca uma guitarra.
– Tá tocando rock, filho? – pergunta sua mãe.
E ele responde empolgado:
– É um rock muito roll, mamãe.

Por favor!!!

Theo, com 1 ano e 8 meses,  já fala pelos cotovelos e quando quer uma coisa não pede, exige!!! (Com muitos pontos de exclamação mesmo). 
Sua mãe (no caso, eu 🙂 já lhe explicou várias vezes que, quando queremos algo, podemos pedir com calma, dizendo “por favor” e esperar pelo tempo da outra pessoa.
Com todas estas explicações, Theo aprendeu a falar o “pofaô” desde 1 ano e pouco, mesmo que aos berros, como quando está com sede e grita: “Ábaaaa!!! Pofaô!!!!
Dia desses, indo para o sítio no carro com seus pais, ele viu um pacote de bolacha de Água e Sal e logo começou:
Acha, mamãe! Acha!! Achaaa!!!
– Calma, Theo, já vou pegar… – respondi ainda com calma.
Acha!! Achaaa!!! Achaaaa!!!! – insistiu Theo, ignorando o pedido de calma.
– Theo, eu não vou dar bolacha nenhuma desse jeito, você sabe muito bem que não precisa gritar e que é para pedir “por favor”, não sabe? Então para de gritar e pede “Acha, por…”
To! Porto, mamãe!!! Oint, oint!
(Fala final com direito a cara de porquinho e tudo, ai, ai, ai…)

Palavra Mágica

Thaís, com três anos, passava o dia no sítio de sua avó. Depois de brincar e correr para lá e para cá, ela entra apressada na cozinha e diz, um pouco autoritária:
– Quero água!
Sua avó, um tanto incomodada responde:
– Como é que se fala?
– Quero água!
– Não, Thaís, qual é a palavrinha mágica?
Thaís franze a testa, pensa por alguns segundos e muito animada responde:
– Ah, ABRACADABRA!!!