Sinceridade familiar

Theo, com quatro anos e nove meses, brincando com o pai e apertando seu nariz:

– Ei, para com isso, você tá apertando meu nariz por que eu sou narigudo? – protesta o pai.
– Nãão, você não é narigudo, papai…

E o pai, por alguns segundos, sente que está fazendo sucesso, até que Theo completa:

– Narigudo você não é, papai, você é barrigudo…

E coversando com a mãe sobre o livro que ela acabara de receber da editora:

– Theo, você quer ver o livro da mamãe?
– Quero. (folheia). Foi você que escreveu e que desenhou?
– Não. Eu escrevi. Mas os desenhos, olha, foi uma amiga da mamãe que fez.
– Ah, bom. Porque você sabe escrever, mas não pinta muito bem, né?

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crédito da imagem: arquivo pessoal

Histórias da Mano

Manoela também coleciona histórias de crianças e compartilhou algumas aqui com a gente:

Certa vez, ela foi contar histórias para as crianças da primeira série de uma escola, que estavam estudando os contos de fada. Contou duas: um conto de fadas e um conto popular e, em seguida, propôs uma conversa:

– Essa segunda história é um conto de fadas?
– Nãããão! –  As crianças responderam
– Por que não?
E, então, um menininho se levantou e disse:
– Porque nela não tem mágica, só tem esperança.
Outro dia, em um buffet infantil onde Mano trabalhou, os monitores fizeram uma proposta: 
– Quem quer desenhar?
E um menino, chamado Caio e de 5 anos, respondeu sério com outra pergunta:
– Depende. É uma atividade?
– Como assim? – perguntou Manoela.
– Porque se for atividade eu não quero. Odeio atividade!

Origem das palavras

João, com 5 anos, conversando com seu pai:

Olha papai, ligar e ligar, é igual!

– Como assim, filho?

– Você fala que vai ligar pra casa e também fala que quer ligar a televisão. É igual mas quer dizer outra coisa. Por que é igual?


– Eita… Eu não sei, mas tem gente que estuda um tempão etimologia, que é pra saber de onde as palavras vêm.


– Ué, não tem que estudar, elas vêm da boca!

Um carinho diferente

Almoço de família, com amigos convidados, e a Sofia, de 2 anos, não estava com paciência, principalmente com a prima, também de 2 anos, como o centro das atenções.

Papo vai, papo vem e de repente a prima leva o maior tapão!

– Filha, você bateu na sua prima??? – pergunta a mãe, tentando entender a situação.

E com muita calma e cara de santinha, a Sofia responde:

– Nããão, mamãe, eu não bati, eu fiz um carinho rápido…

Duas sobre Morangos

Carolina, de três anos, acompanha a segunda gestação de sua mãe. Certa vez, depois de almoçar bastante e de comer sobremesa, ela pergunta:

– Mamãe, tem um bebê na sua barriga, né?

–  Tem, filha, tem um bebê, que é o seu irmãozinho.

Neste momento ela levanta a blusa e mostra o barrigão:

– Ah, na sua barriga tem bebê e na minha tem morangos!!!

Voltando do parque da Água Branca, passo por uma mãe e uma filha a caminho da feira de produtos orgânicos…

– Não, eu não quero comprar frutas! -diz a menina que deve ter uns dois anos e meio.

– Mas, filha, você gosta de frutas – insiste a mãe.

– Eu não gosto de frutas! – reafirma a menina.

– Gosta, filha, você gosta de morango e…

– Mas morango não é fruta!

– Não? Morango é o quê?

E com “ar de água na boca”, ela finaliza:

– Ah, morango é delícia!!!

Por favor!!!

Theo, com 1 ano e 8 meses,  já fala pelos cotovelos e quando quer uma coisa não pede, exige!!! (Com muitos pontos de exclamação mesmo). 
Sua mãe (no caso, eu 🙂 já lhe explicou várias vezes que, quando queremos algo, podemos pedir com calma, dizendo “por favor” e esperar pelo tempo da outra pessoa.
Com todas estas explicações, Theo aprendeu a falar o “pofaô” desde 1 ano e pouco, mesmo que aos berros, como quando está com sede e grita: “Ábaaaa!!! Pofaô!!!!
Dia desses, indo para o sítio no carro com seus pais, ele viu um pacote de bolacha de Água e Sal e logo começou:
Acha, mamãe! Acha!! Achaaa!!!
– Calma, Theo, já vou pegar… – respondi ainda com calma.
Acha!! Achaaa!!! Achaaaa!!!! – insistiu Theo, ignorando o pedido de calma.
– Theo, eu não vou dar bolacha nenhuma desse jeito, você sabe muito bem que não precisa gritar e que é para pedir “por favor”, não sabe? Então para de gritar e pede “Acha, por…”
To! Porto, mamãe!!! Oint, oint!
(Fala final com direito a cara de porquinho e tudo, ai, ai, ai…)

De lamber os dedos

Sarah, com 2 anos e 5 meses, adora uma salada de pepino e tomate. Dia desses, ela comeu tudo sozinha e com as mãos, que passava na água do vinagre. Quando acabou de comer, Sarah olhou para os dedos que estavam todos enrugados e exclamou:

– Ah não!


 – O que foi Sarah? – assustou-se sua mãe.


– Minha mão, meu dedo! Tagou! Tá tudo tagado!

Frio? Por Deus…

Vinicius tem seis anos e, mesmo em dias dias de muito frio, detesta se agasalhar. Ele vai passar um dia inteiro com amigos do curso de Inglês e se recusa a colocar uma blusinha de frio. 

Certa vez, com os termômetros marcando oito graus, sua mãe não aguentou e colocou muitos casacos em Vinícius. Bem contrariado, ele tentou explicar:

– Mãe você é OBSESSIVA! Parece doida me enchendo de blusas, não tô com frio!

Até hoje ninguém sabe de onde ele tirou esse “diagnóstico psiquiátrico” para a mãe :), mas a explicação de Vinicius para sua falta de frio (e também para outras atitudes diferentes) é a fala:

– Foi Deus que me fez assim!