Idioma universal

A Bebel sempre foi conversadeira e, mesmo antes de aprender as palavras da Língua Portuguesa, já se comunicava com longos discursos no idioma dos bebês – o que seus pais batizaram de “bebeiês”.
 
Com dois aninhos e já craque no vocabulário brasileiro, ela viajou com os pais para Paris e se interessou bastante pelo idioma estrangeiro.

Tanto que já na primeira vez que vieram falar com ela em francês, ela respondeu sem inibição algo do tipo:

Badagu Loguiaxi blefxianhiem

E quando sua mãe perguntou o que eles estavam falando, a pequena respondeu com aquela carinha de “como assim? Você não percebeu???”:

Bebeiês, mamãe!

Proporção

Aula de História no 7º ano; comparação entre Arte Medieval e Arte Renascentista. A professora explica:

– Nas obras de arte Renascentistas a noção de perspectiva, profundidade e proporção é muito mais precisa do que na medieval. O corpo dos seres humanos passa a ser retratado com muito mais minúcia de detalhes, blablabla...

No livro, os alunos observam um exemplo de obra renascentista: A Criação de Adão (Michelangelo – teto da capela Sistina).

– Professora, você tem certeza que essa obra é Renascentista e não Medieval? – pergunta uma aluna.

– Claro, é um exemplo clássico, o Michelangelo, blablabla..., o homem, blablabla… Convenci?

– Não, por que a noção de PROPORÇÃO aí tá muuuuito errada!

Risos gerais até o final da aula. Busca obstinada de todos os alunos para acharem mais homens e mulheres pelados pelo livro inteiro. A professora, então, resolve colocar mais lenha na fogueira, na tentativa de quebrar um pouco esse tabu da nudez:

– Ah, meninas, é assim mesmo, tem horas que fica pequenininho tem horas que fica grande, ué!

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imagem: wikipedia/domínio público

Adereços femininos

Sabe aquele negócio de prender o cabelo que é mais elegante do que o elástico?

A Sophia, quando tinha uns 3 anos, quase arrumou uma briga na escola por causa deste adereço…

Sophia: – Me dá minha Pivelinha!

Amiga da Sophia: – Aaai, não é Pivelinha, é Prrivelinha!!

Sophia: – Não! É Piiiivelinha! Me dá!!!

Amiga da Sophia: – Tó! Mas não é Pivelinha, é Prrivelinha!!!

Finalmente o pai da Sophia chegou para salvar a pobre fivela que quase quebrou no meio da disputa…

Brinquedos e brinquedas

A mãe de Artur, de 5 anos, conversou bastante com ele sobre questões de gênero, esclarecendo que brinquedo é brinquedo e não precisamos dividir “brinquedo de menina” e “brinquedo de menino”. 
Artur concordou com todas as colocações, mas no final da conversa, lançou:

– Tá bom, mamãe, entendi. Mas eu não quero nem passar batom e nem pintar a unha, tá?

Pais e filhos… e irmãos… e mães…

Theo, com 3 anos, conversando com o pai na hora de dormir:
 

– Pai, quantos “irmões” você tem?
– Três, filho.
– É “muitos irmões”, né pai?
– Não, é bom ter irmãos.
(silêncio, o pai ainda na esperança que ele adormeça…)
– E quantos filhos você tem?
– Dois, você e o Ian.
– Não é muito dois filhos, né, pai?
– Por enquanto está bom, Theo. Dorme.
(mais silêncio)
– Pai… e por que você só tem uma mulher? Não quer ter duas também?




E alguns meses depois, logo ao acordar:

– Pai, o Ian é bebezinho, né?
– É, filho. Mas ele tá crescendo, né?
– É, ele era mais bebezinho pequenininho. Agora ele meninou um pouco.

Celular

Ana adora brincar de falar no celular com a sua terapeuta.

No primeiro dia em que propôs a brincadeira, ela demonstrou estar muito bem entrosada com as novas formas de comunicação.

– Então, Ana, o que você quer fazer hoje? Vamos continuar montando o quebra-cabeça?

– Não, vamos brincar de casinha? A gente é amiga e tem celular. Aí você me liga.

– Tá bom, então vou te ligar, atende aí: “Trrrriiim, trrrriiim”!

– Que é isso?

– Ué, o telefone tocando…

– Mas o telefone não toca assim.

– Ah, é mesmo, eu me esqueci… é que na época em que eu brincava de falar no telefone eles tocavam assim (risos). Agora vou fazer direito, vamos la! “Tãnãnãnãnã, tãnãnãnãnã”!

– Ah não, o meu celular não toca assim, não.

– Mas você nem tem celular. E o meu toca assim, oras… Bom, ok, me liga você, que eu atendo, então.

– Tá! Atende aí (começa a cantar, animadíssima): “I’m a barbie girl, in a barbie wooorld!”