Antonio, com três anos, pintando desenhos:
– Mãe, me ajuda, não to conseguindo…
– Que foi filho, o lápis tá ruim?
– Não, é que ele não tá me entendendo…
Ian (2 anos e 5 meses) no sábado:
– Mamãe, eu tô ficando gande, poque eu vô apendê a fazê cocô no piLico!
– Sim, meu amor! – diz a mãe empolgadíssima já pensando em acender uma vela p/ Nossa Senhora do desfralde natural…
Ian no domingo:
– Vô fazê cocô…
– Oba, filho! Vamos pro penico?!
– Não, mamãe – e fazendo carinho no rosto da mãe, completa – eu não sou gande não, eu quelo fazê na faldinha, tá bom?

(E la vamos nós com dois passos p/ frente, um p/ trás, muitas fraldas mas também muita fofurice 🙂 )
Theo, 3 anos e 10 meses, tagarelando sobre planetas e satélites e olhando a Lua Cheia com a mamãe:
– Olha um planeta!
– Parece planeta, né? Mas é a Lua, filho.
– Mas ela tá assim redonda, que nem um planeta, é um planeta! A Lua é assim com um risquinho (desenha uma Lua Crescente com a mãozinha).
– A Lua tem várias fases, Theo: essa do risquinho é a Lua Crescente, essa redonda é a Cheia…
– Ah, sei, e também a Lua Linguante, né?
Beatriz, com 6 anos, tinha bastante lição de casa para fazer.
– Beatriz, vai fazer a lição. – pede sua mãe.
– Já vou, mamãe, estou com fome. – explica Bia.
Meia hora e uma bisnaguinha com nutella, mais tarde…
– Beatriz, vai fazer a lição! – pede, com mais ênfase, sua mãe.
– Já vou mamãe, estou com sono.
Mais uma hora e muitos desenhos depois…
– Beatriz, vai fazer a lição!
– Já vou mamãe, estou com dor de barriga. – responde Beatriz, já com um início de dramatização.
Mais meia hora…
– Beatriz, vai fazer a lição!
– Não consigo, mamãe… – e a dramatização fica mais elaborada…
– Beatriz, pára de se fazer de coitada e vai fazer a lição!
– Eu não tô me fingindo de coitada. Eu sou coitada!!! – finaliza a mocinha, que, depois de exercitar bastante sua veia artística, conclui a lição rapidamente, às 17h30.
– Mamãe, quando você ficar pequenininha, você vai sentar na minha cadeirinha, tá?
Theo, com 4 anos e 3 meses, conseguiu colaborar bastante com o blog semana passada:
Brincando de médico
– Mãe, já sei, Raio X é um raio que faz xxxxiissss, né?
Na escola
Depois de levar uma “chamada” (merecida) da professora:
– Sabe, se eu fosse você eu não seria assim tão mandono. Não é legal ser tão mandono.
…
Entregando uma lembrancinha de dia dos professores:
– Eu trouxe um presentinho, eu escritei todos os nomes, bem coloridos.
…
No pátio:
– Theo, por que você está gritando? Parece uma arara. – diz a professora.
– Não pareço, não, eu sou um menino. Arara grita em “ararês”! – responde o rapazinho.
…
Caminhando com sua mãe
– Mãe, eu quero ser motorista de táxi, né?
– É, você já me contou, motorista de táxi, médico e marceneiro, né?
– É, eu quero porque o motorista de táxi fica pra lá e prá cá, levando as pessoas… ele não tem casa, né?
– Tem, filho, ele trabalha dirigindo, mas quando acaba volta pra casa, como todo mundo que trabalha fora de casa.
– Ah, tá bom.
…
Alguns raríssimos momentos de silêncio depois, ele volta com sua infinita busca por entender os dias:
– Mãe, que dia é hoje? É amanhã?
– De novo, filho? A gente já conversou tanto sobre isso… Hoje é hoje, hoje é sexta-feira, tá bom?
– Mas hoje é dia do pai, da mãe, da criança?
– Não, acho que hoje não é dia de nada dessas coisas, mas depois a gente pesquisa.
– Não é dia do professor?
– Não, já passou, lembra?
– E quando é o dia do motorista de táxi?