Téo, com cinco anos e meio, durante uma conversa filosófica:
– Mãe por que existe pessoa?
– Hum… não tenho ideia, Téo, por que você acha? – pergunta a mãe.
– Ah, pra brincar, dormir, comer, ler livro…
crédito imagem: bancodeatividades.blogspot.com
Sarah, com seis anos, conversando com sua irmã mais velha, Anna…
– Sarah, eu gosto do jeito que você descreve as coisas. – diz Anna.
– Mas eu não sei escrever! – estranha a pequena.
– Eu não disse escrever, disse descrever.
– É a mesma coisa!
– Claro que não! Sabe o que é descrever?
– Sei! Des-crever é igual a apagar!
Festa infantil. Cerca de 8 crianças entre 4 e 6 anos brincam de pular corda com dois animados monitores.
– Qual música você quer? – pergunta o monitor.
– Do cabelo arrepiado! – responde uma menininha que deve ter uns 5 anos.
– Tá bom, vamos lá: “Suco, gelado, cabelo arrepiado, qual é a letra do seu namorado? A, B, C, D…” – e assim ele foi cantando e a menina pulando, até que ela erra o salto e a letra “sorteada” é…
– U!!!
– “U”? Ixi, não conheço nome de namorado com “U”! – brinca a monitora.
– Urubu!! – tira sarro um menino de uns 6 anos.
– Não!! – fica brava a menininha da corda – É o Uuuu… Uiliam!!
– Não, filha, por quê?
– Porque seria melhor, né, para os tubarões não comerem os peixes.
Será no dia 26 de maio na Livraria da Vila – Fradique Coutinho, 915. A partir das 18h30.
Nesta primeira edição foram selecionadas 60 historinhas lindamente ilustradas pela artista plástica Julia Borst. Para quem ainda não sabe, o projeto do “Conversas” surgiu no caderno em 2007, foi transformado em Blog em 2010 e selecionado para um livro em parceria com a ComArte/USP em 2011. Demorou mas saiu 🙂 Quero ver todo mundo na livraria!
Gael agora está com 2 anos e 10 meses e fazia tempo que não aparecia aqui no blog. Mas isso não quer dizer que ele tenha parado sua incessante produção de pérolas :). Aqui as últimas amostras produzidas no segundo semestre de 2013 e agora no início de 2014:
Pintando
– Tabe, daquela vez? Eu pintei! – conta Gael.
– Você gosta de pintar? – pergunta seu tio.
– Eu góto!
– E o que você pintou?
– Ah, o papel!
Com um paladar aguçado
– Quéo comê um tizolo!
– O quê, filho?
– Um tizolo!
– Um tijolo???
– Nããão! Aquele de a-ôz com môio!
– Ah, tá, um risoto!
– É, isso, é itôto na vidádi!
Refletindo sobre peixes
– Mãe, o pêsse picisa de asa, né?
– Não filho, é nadadeira!
– Pu quê é nadadeia?
– Pra nadar, filho… quem precisa de asa é o passarinho, pra voar, não é?
– Ma o pêsse já tem nadadeia, agóa ele picisa de asa!
(É, pensando bem…)
– O que é aquio? – pergunta Gael.
– É um escorregador. – responde sua mãe.
– Posso icoegá?
– Pode! Mas você vai sozinho?
– Não, eu sô bunda móni!
Theo, com 3 anos, conversando com o pai na hora de dormir:
– Pai, quantos “irmões” você tem?
– Três, filho.
– É “muitos irmões”, né pai?
– Não, é bom ter irmãos.
(silêncio, o pai ainda na esperança que ele adormeça…)
– E quantos filhos você tem?
– Dois, você e o Ian.
– Não é muito dois filhos, né, pai?
– Por enquanto está bom, Theo. Dorme.
(mais silêncio)
– Pai… e por que você só tem uma mulher? Não quer ter duas também?
E alguns meses depois, logo ao acordar:
– Pai, o Ian é bebezinho, né?
– É, filho. Mas ele tá crescendo, né?
– É, ele era mais bebezinho pequenininho. Agora ele meninou um pouco.