Aranha no escritório

Heitor, com dois anos e oito meses, colocou sua fantasia e entrou correndo no escritório:

– Oi Homem-aranha! Como você está? – pergunta o pai, dando uma pausa no trabalho.

– Vermelho! – responde Heitor.

– Ah… que tal você dizer: eu estou pronto para amarrar os bandidos com minha super teia! – sugere o pai.

– Eu também! – anima-se o pequeno.

heitor_aranhaimagem: arquivo pessoal/Maria Ivone

Idioma universal

A Bebel sempre foi conversadeira e, mesmo antes de aprender as palavras da Língua Portuguesa, já se comunicava com longos discursos no idioma dos bebês – o que seus pais batizaram de “bebeiês”.
 
Com dois aninhos e já craque no vocabulário brasileiro, ela viajou com os pais para Paris e se interessou bastante pelo idioma estrangeiro.

Tanto que já na primeira vez que vieram falar com ela em francês, ela respondeu sem inibição algo do tipo:

Badagu Loguiaxi blefxianhiem

E quando sua mãe perguntou o que eles estavam falando, a pequena respondeu com aquela carinha de “como assim? Você não percebeu???”:

Bebeiês, mamãe!

Mamíferos

João e Rafael estudam na mesma escola desde um ano de idade. Neste semestre eles estão aprendendo a ler e a escrever e João está muito animado com isso.

Um dia, durante uma aula na biblioteca, Rafael resolveu pegar um livro sobre os animais mamíferos.

– M-A-M-I-F-E-R-O-S – decifrou concentrado.

– Você sabe o que “é” mamíferos? – perguntou João.

– Não. Você sabe?

– Não, mas vou ler. 
Ele pegou o livro e abriu em uma página com a ilustração de uma baleia.

– M-A-M-I-F-E-R-O-S – e continuou falando como se estivesse lendo – Mamíferos “é” um peixe gordinho, que tem a boca grande e que tem pipi. Entendeu??

Memória

Theo, 4 anos e 4 meses, conversando com sua mãe:

– Theo, você lembra que a vovó pediu pra você ir lá ajudar a arrumar a casa?

– Lembro, eu nunca esqueço, sabe por quê?


– Por quê?


– Porque ficam passando uns sonhinhos na minha cabeça. Eu sonho até o que a gente vai fazer amanhã.

A chegada da Primavera

Quando estava na primeira série Amanda levava muito em consideração tudo o que a professora dizia.
Certo dia, no mês de setembro, seu pai disse que eles viajariam e a mocinha, muito preocupada, disse logo:
– Não, pai, a gente não pode viajar!

– E por que não, filha?

– Porque a professora disse que nós temos que nos preparar pra chegada da Prima Velha!