Celular

Ana adora brincar de falar no celular com a sua terapeuta.

No primeiro dia em que propôs a brincadeira, ela demonstrou estar muito bem entrosada com as novas formas de comunicação.

– Então, Ana, o que você quer fazer hoje? Vamos continuar montando o quebra-cabeça?

– Não, vamos brincar de casinha? A gente é amiga e tem celular. Aí você me liga.

– Tá bom, então vou te ligar, atende aí: “Trrrriiim, trrrriiim”!

– Que é isso?

– Ué, o telefone tocando…

– Mas o telefone não toca assim.

– Ah, é mesmo, eu me esqueci… é que na época em que eu brincava de falar no telefone eles tocavam assim (risos). Agora vou fazer direito, vamos la! “Tãnãnãnãnã, tãnãnãnãnã”!

– Ah não, o meu celular não toca assim, não.

– Mas você nem tem celular. E o meu toca assim, oras… Bom, ok, me liga você, que eu atendo, então.

– Tá! Atende aí (começa a cantar, animadíssima): “I’m a barbie girl, in a barbie wooorld!”

Super poderes

Foi a primeira vez que Sofia, de dois anos e meio, viajou de avião. Antes do embarque, sua irmã mais velha, Mariana, finalmente concordou em explicar-lhe tudo sobre as “meninas super poderosas”: Florzinha, Docinho e Lindinha, não necessariamente nesta mesma ordem.
Sofia, muito feliz pelo novo aprendizado, concluiu, então, que ela também tinha super poderes. E foi do saguão do aeroporto até a entrada no avião dizendo em alto e bom som:
– Eu sou “podelosa”! Eu sou muito “podelosa”!!!
No momento da decolagem, sua mãe estranhou o súbito silencio que se instaurou, de repente. Durante praticamente todo o vôo, Sofia manteve-se quieta e atenta a tudo que acontecia.
No momento de retirar as bagagens, já em solo estrangeiro, a mãe de Sofia percebeu um semblante tristinho e perguntou:
– O que foi filha?
– Ah, mamãe, eu não sou muito “podelosa”, não…
– Não? E por quê?
– Porque eu não tenho “zazas”…

Mamíferos

João e Rafael estudam na mesma escola desde um ano de idade. Neste semestre eles estão aprendendo a ler e a escrever e João está muito animado com isso.

Um dia, durante uma aula na biblioteca, Rafael resolveu pegar um livro sobre os animais mamíferos.

– M-A-M-I-F-E-R-O-S – decifrou concentrado.

– Você sabe o que “é” mamíferos? – perguntou João.

– Não. Você sabe?

– Não, mas vou ler. 
Ele pegou o livro e abriu em uma página com a ilustração de uma baleia.

– M-A-M-I-F-E-R-O-S – e continuou falando como se estivesse lendo – Mamíferos “é” um peixe gordinho, que tem a boca grande e que tem pipi. Entendeu??

Telemarketing

A Julia, agora com 7 anos, não recorta mais vestidos, mas adora atender o telefone de casa. Dia desses, sua mãe estava bem ocupada e, quando tocou o aparelho e a mocinha já correu para atender, ela pediu:

– Julia, se forem aquelas pessoas querendo vender alguma coisa, do banco, do cartão etc, fala que eu não estou, tá?

– Tá – respondeu Julia, já com a mão no aparelho.

Quando a ligação começou, a moça do outro lado perguntou:

– Por favor a Sra. Cristiane, aqui é do cartão fulano de tal…

Mas a Julia rapidamente já interrompeu:

– Olha, ela não está!

– Ah, não está? Então você pode chamar a sua mãe, por favor?

E a Julia, muito brava, saiu gritando:

– Manhêêêê, eu disse que você não tava, mas não adiantou nada!

PiLico!

Ian (2 anos e 5 meses) no sábado:
– Mamãe, eu tô ficando gande, poque eu vô apendê a fazê cocô no piLico!
– Sim, meu amor! – diz a mãe empolgadíssima já pensando em acender uma vela p/ Nossa Senhora do desfralde natural…

Ian no domingo:
– Vô fazê cocô…
– Oba, filho! Vamos pro penico?!
– Não, mamãe – e fazendo carinho no rosto da mãe, completa – eu não sou gande não, eu quelo fazê na faldinha, tá bom?

toilet-paper
(E la vamos nós com dois passos p/ frente, um p/ trás, muitas fraldas mas também muita fofurice 🙂 )

Cabeça quente

Theo, com 3 anos e meio, fica bastante suado, principalmente na cabeça. Dia desses ele explicou o que acontece; quando sua mãe lhe perguntou porque ele fica com a cabeça tão quente, a resposta foi:

– É poquê tem muitos pensamentos.

… Em outro dia de muito Sol, seu pai perguntou:

– Theo, o que é calor?

E o pequeno respondeu com facilidade:

– Calor é quando a gente não sente o ventinho, ué!?