Celular

Ana adora brincar de falar no celular com a sua terapeuta.

No primeiro dia em que propôs a brincadeira, ela demonstrou estar muito bem entrosada com as novas formas de comunicação.

– Então, Ana, o que você quer fazer hoje? Vamos continuar montando o quebra-cabeça?

– Não, vamos brincar de casinha? A gente é amiga e tem celular. Aí você me liga.

– Tá bom, então vou te ligar, atende aí: “Trrrriiim, trrrriiim”!

– Que é isso?

– Ué, o telefone tocando…

– Mas o telefone não toca assim.

– Ah, é mesmo, eu me esqueci… é que na época em que eu brincava de falar no telefone eles tocavam assim (risos). Agora vou fazer direito, vamos la! “Tãnãnãnãnã, tãnãnãnãnã”!

– Ah não, o meu celular não toca assim, não.

– Mas você nem tem celular. E o meu toca assim, oras… Bom, ok, me liga você, que eu atendo, então.

– Tá! Atende aí (começa a cantar, animadíssima): “I’m a barbie girl, in a barbie wooorld!”

Self-service

Lucas é um menino bastante precoce e extremamente inteligente. Alfabetizou-se com quatro anos e meio e, aos cinco, dizia coisas que ninguém acreditava (como perguntar à professora se ela irá distribuir os desenhos “aleatoriamente” para os alunos).
Certa vez, após uma brincadeira de “restaurante”, uma colega de classe perguntou:
– Professora, o que é self-service? 
Antes mesmo de a professora conseguir pensar na melhor forma de responder a pergunta, ele já falou com um tom de “mas isso é tãããõ óbvio”:
– Self-service, oras, você serve-se a si mesmo!

Origem das palavras

João, com 5 anos, conversando com seu pai:

Olha papai, ligar e ligar, é igual!

– Como assim, filho?

– Você fala que vai ligar pra casa e também fala que quer ligar a televisão. É igual mas quer dizer outra coisa. Por que é igual?


– Eita… Eu não sei, mas tem gente que estuda um tempão etimologia, que é pra saber de onde as palavras vêm.


– Ué, não tem que estudar, elas vêm da boca!

Idioma universal

A Bebel sempre foi conversadeira e, mesmo antes de aprender as palavras da Língua Portuguesa, já se comunicava com longos discursos no idioma dos bebês – o que seus pais batizaram de “bebeiês”.
 
Com dois aninhos e já craque no vocabulário brasileiro, ela viajou com os pais para Paris e se interessou bastante pelo idioma estrangeiro.

Tanto que já na primeira vez que vieram falar com ela em francês, ela respondeu sem inibição algo do tipo:

Badagu Loguiaxi blefxianhiem

E quando sua mãe perguntou o que eles estavam falando, a pequena respondeu com aquela carinha de “como assim? Você não percebeu???”:

Bebeiês, mamãe!