Meu Vizinho!

Sarah, com 2 anos e meio, conversando com os avós na porta de casa:

-Sarah, olha ali o Seu Montoro – diz a avó apontando para o vizinho que se aproxima. 

– É meu! MEU MONTOLO! – briga Sarah.

– Não, Sarah, é “SEU”. Seu Montoro é ele.

– É MEEEEEEEU MONTOLO! – não se conforma a mocinha, que já pode bater um “papo pronominal” com o Theo e com a Marina.

(E daria para ficar discutindo horas de quem é o Montoro).

Natação lusitana

Amanda, 3 anos indo pra para natação:
– Vamos filha…. Estamos atrasadas…. Olha lá seus amigos já se aquecendo para a aula de natação!
– Mamãe tá frio lá na natação?
– Não filha, a água da piscina é quentinha.
– Então, mamãe, por que meus amigos estão se aquecendo?

Theo, 5 anos e 8 meses, querendo fazer natação:

– Mãe, quando eu vou poder nadar no clube?

– Primeiro a gente precisa pagar a associação, depois você faz o exame médico e aí pode nadar.

– Pra que exame médico?

– Pra ver se tá tudo bem, se não tem frieira… mas você não tem agora, vai poder nadar.

– Ah não, eu tenho sim! Eu tenho muito frio na piscina!! Como faz pra parar com a frieira???

natacaoimagem: pixabay.com

Diversas do Theo 7

Theo, com 4 anos e 3 meses, conseguiu colaborar bastante com o blog semana passada:

Brincando de médico 

– Mãe, já sei, Raio X é um raio que faz xxxxiissss, né?

Na escola

Depois de levar uma “chamada” (merecida) da professora:
– Sabe, se eu fosse você eu não seria assim tão mandono. Não é legal ser tão mandono.


Entregando uma lembrancinha de dia dos professores:
– Eu trouxe um presentinho, eu escritei todos os nomes, bem coloridos.

No pátio:
– Theo, por que você está gritando? Parece uma arara. – diz a professora.
– Não pareço, não, eu sou um menino. Arara grita em “ararês”! – responde o rapazinho.

Caminhando com sua mãe

 – Mãe, eu quero ser motorista de táxi, né?
– É, você já me contou, motorista de táxi, médico e marceneiro, né?
– É, eu quero porque o motorista de táxi fica pra lá e prá cá, levando as pessoas… ele não tem casa, né?
– Tem, filho, ele trabalha dirigindo, mas quando acaba volta pra casa, como todo mundo que trabalha fora de casa.
– Ah, tá bom.

Alguns raríssimos momentos de silêncio depois, ele  volta com sua infinita busca por entender os dias:
– Mãe, que dia é hoje? É amanhã?
– De novo, filho? A gente já conversou tanto sobre isso… Hoje é hoje, hoje é sexta-feira, tá bom?
– Mas hoje é dia do pai, da mãe, da criança?
– Não, acho que hoje não é dia de nada dessas coisas, mas depois a gente pesquisa.
– Não é dia do professor?
– Não, já passou, lembra?
– E quando é o dia do motorista de táxi?

Diversas do Ian

Nos últimos dois anos, o Ian (hoje com 4 anos e 10 meses) teve boas conversas em casa. Compilando as publicações da TL de seu pai, surgiu uma divertida coletânea por aqui 🙂

O pai do Ian começou a cursar uma faculdade de medicina e ele aproveitou para sanar suas dúvidas:

Mexendo na mão…
-Pai, você já aprendeu na escola de médicos como as partes do corpo ficam coladas?
-Como assim, coladas?
-Ué, meu dedo tá colado na mão, que tá colada no braço. Nunca percebeu, pai?

Tirando uma casquinha do braço…
– Pai, você lá na sua escola de médico já aprendeu a cuidar desse tipo de dodói?

Durante um estudo de neuroanatomia no computador, ele quis saber:
– Pai, o que é isso? É um ‘célebro’?
– Sim, filho.
– Sabe quem gosta de ‘céleblo’? Zumbi.
– Zumbi?
– Zumbi, sabe? Zumbi é como uma múmia. Ele anda assim… (vai andando com as pernas duras e mãos estendidas). A diferença é que zumbi gosta de comer ‘célebro’ e múmia não, só fica dormindo dentro das pirâmides.

Ele também fez algumas gracinhas na hora do banho:
– Já acabou de se lavar, filho?
– Não, falta o bumbum e o pintóvski.

E, num domingo pós viagem, deu seu veredito final:
– Pai, eu queria que amanhã “sesse” outro feriado!

Suas escolhas alimentares foram ecléticas:
– Ian, você vai comer só batata? Não vai comer franguinho? – perguntou o irmão.
– Não, Theo. É que hoje eu virei herbívoro.
– Você sempre vira herbívoro no dia da batata frita, né, Ian?
– É, Theo. Você sabe que eu gosto de ser herbívoro.
– E no dia que tiver lula fritinha?
– Aí eu viro carnívoro. Qual o problema?

E esperando o Pokemon Go carregar… de repente, ele deu um berro:

– OLHA PAI! Tem o meu nome aqui embaixo do balãozinho! Ele sabe que sou eu!

 

Ian passou por uma fase em que falava “Nossa!” para tudo. Um dia, seu pai chegou em casa depois de 12 horas na rua e o pequeno não teve piedade:
– NOSSA, pai!
– Que foi?
– Como você tá fedido!

Na escola, esteve empenhado nos desenhos:
– O que você fez hoje, filho?
– Foi muito legal, cada pessoa podia pintar o que quiser. A minha amiga Diana pintou uma flor!
– E você, Ian?
– Eu pintei uma pessoinha que sonhou que estava dentro do redemoinho de um furacão!

Com 3 anos e 9 meses, voltou do supermercado explicando:
– Oi mãe, olha, eu compLei só tLêis goLoLobas, tá?

Também conversou com o irmão sobre uma música da Marisa Monte:
– Eu não ‘lembo’ a música que a gente está aprendendo para a mamãe, Theo…
– Não é aquela do “Amor Alô Viu?”

 

Também refletiu sobre as relações parentais:
– Pai, vamos brincar de família lobo? Eu sou o filhinho lobo e você é a mamãe lobo.
– Mamãe?
(Ele pensa, diplomático)
– É que lobo não precisa muito de pai, né?

E sobre a organização alimentar:
– Pai, o jantar é um tipo de almoço, não é?

Um dia deixou uma pilha de brinquedos jogados no chão e seu pai perguntou:
– Quem fez essa bagunça?
– Fui eu.
– E quem vai arrumar?
– Pode ser você?

No processo de desfraldamento, anunciou:
– Pai, acho que escapou um xixi…
– Deixa eu ver… é filho, escapou muito.
– Por que escapou xixi?
– É porque você não tá prestando atenção no seu corpo?
(ele pensa)
– Tô sim, pai. Meu corpo tá cheio de xixi.

Com 2 anos e 9 meses, assistiu um jogo de futebol na TV. Seu irmão, Theo, ficou tagarelando ele se esforçou para entrar na conversa, sem muito sucesso. Até que… Theo perguntou:
– Mas o jogo é aqui no clube?
– Não, esse é no estádio do Sport – respondeu o pai, que ainda ía explicar onde fica o estádio, mas foi interrompido pelo pequeno que declarou com muita ênfase:
– Nãããão, é no “estádios unidus”, né, “genti”?!

E, pra terminar, com 2 anos e 4 meses, o pequeno divertiu a família toda com novas pronúncias da Língua Portuguesa:

galinha preta com bolinhas brancas = Galinha Gangola
onde fazemos compras – Fimicado
onde comemos de vez em quando = Vistaulante
o que comemos depois do jantar = Fubimesa
o que não faz bem pra nossa saúde = Pucalía
para subir no nosso apartamento, a gente usa o… Vilador
o que protege os nossos pés = Satapo
objeto que ajuda a enxergar melhor = Lóculos
o que gostamos muito de ouvir aqui em casa = Múcasa
quando estamos cansados, a gente pode… Vilaxá
e podemos deitar na… Alfumada
a mamãe precisa sair pra… Pataiá
antes de ser adulto a gente é… Quilança

Descoberta na banheira

Rio de Janeiro, aquele calor das músicas da Fernanda Abreu… E o Hugo, com 2 anos e pouco pediu para ficar mais tempo brincando na banheira. 
– Ok – responde qua mãe – mas eu vou lá na sala falar com a tia Cris e já volto.
Da sala, a tia do Hugo ouvia as risadas e o barulho de água sendo espalhada para todos os lados. 
Até que: silêncio… E um grito, com tom de desespero:
– Mamãe, mamãe, mamãe!

A mãe volta correndo e encontra o filho com as pernas levantadas e a mão no traseiro, dizendo:
– Mamãe, mamãe! Costura aqui! Tem um buraco no meu bumbum!

Histórias de Clarice…

Transcrevo aqui dois registros encantadores retirados do caderno de Clarice Lispector…
“1954 – no aeroporto quando íamos de férias para o Rio, ele vê uma menina e me diz furtivo, afobado:
– Olha, uma menina bonita!
Ficou agitadíssimo e disse:
– Mamãe, quando eu vejo uma moça eu até sinto o cheiro do meu paninho! (o pedaço de pano com que desde que nasceu, ele dorme. Quando o pano era lavado ele reclamava a ausência de cheiro. Uma vez disse: mamãe, o paninho tem cheiro de mamãe!)”
“Pedro.
– A palavra “palavra” é ex-possível!
– Ex-possível?
– É! Gosto mais de dizes ex-possível do que impossível! A palavra “palavra” é ex-possível porque significa palavra.”
LISPECTOR, Clarice. Outros Escritos (Organização de Teresa Montero e Lícia Manzo). Rio de Janeiro: Rocco, 2005.

 

Super herói em desenvolvimento

Esperando seu horário no consultório do ortopedista, Bruno parece bastante entediado. Passa a mão em todas as revistas, corre de um lado para outro e inicia conversa com todas as pessoas que também estão esperando, mas ninguém parece dar muita bola para ele. Sua mãe pede inúmeras vezes que sente ao lado do irmão um pouco mais velho, o Renato, mas Bruno parece incansável. 
De repente, ele começa a brincar de super herói, pulando dos móveis e fazendo a maior bagunça. Renato fica incomodado e resolve interferir:
 
– Bruno, para quieto!
– Mas eu sou um super herói! – responde Bruno, meio indignado.
– É nada… super herói tem super poderes e…
– Eu tenho super poderes!!! – interrompe, mais indignado ainda.
– Você nem consegue voar! Como você é um super herói e não consegue voar??

Após uma breve pausa, Bruno, acha sua resposta e explica, com calma:

– É porque eu sou fiote de super herói ainda.


Correia dentada

– Gael, já foi escovar os dentes? – pergunta a mãe para o filho de três anos e 1 mês.
– Eu tô brincando com meu trator! – responde Gael.
– E o que o trator tem a ver com escovar os dentes?
– Éééé… Ele tem uma boca bem grande de pegar lama e terra!

tratorfonte imagem: www.daycoloringpages.com