Muito melhor que avião
O Enzo é um menino super esperto, de olhinhos azuis e que adora aviões. Sua casa fica ao lado da pousada dos seus pais, em um lugar paradisíaco onde eventualmente passam helicópteros e outras aeronaves.
Certa vez, meu marido, Mauricio, foi puxar conversa enquanto o pequeno brincava empolgado:
– Que legal este avião, Enzo!
– Isso não é avião, é um heptópteto! – respondeu com aquela cara de “mas você não sabe de nada mesmo, tsc,tsc…”
No dia seguinte, Enzo estava brincando novamente e, dessa vez, parecia que finalmente era um avião…
– Ah, agora é um avião, né? – quis confirmar Mauricio.
Mas Enzo mais uma vez teve que explicar:
– Nããão, isso não é um avião, você não tá vendo que isso aqui é um Fodete?!!
Fóssil vivo
Cedilha
Esses dias, o Caio (3 anos e meio) estava brincando com as letras do alfabeto e falou para sua mãe:
– Vou fazer um “o dilha”.
“O dilha? O que será isso?”, pensou sua mãe.
Então, observando os rabiscos do pequeno, entendeu que era a letra “Q”. Caio associou: se o cê-cedilha é um “C” com um risquinho embaixo e o “Q” é um “O” com um risquinho embaixo, logo, ele se chama “o dilha” 🙂
Brinquedos e brinquedas
A mãe de Artur, de 5 anos, conversou bastante com ele sobre questões de gênero, esclarecendo que brinquedo é brinquedo e não precisamos dividir “brinquedo de menina” e “brinquedo de menino”.
Artur concordou com todas as colocações, mas no final da conversa, lançou:
– Tá bom, mamãe, entendi. Mas eu não quero nem passar batom e nem pintar a unha, tá?
Vendo o mundo com poesia
A Olívia, com dois anos, queria entender o que é trabalhar. Durante a explicação, seus pais disseram que um dia, quando estiver grande, ela provavelmente vai querer trabalhar também.
Depois de pensar quietinha por um tempo, ela olhou para uma enorme torre de telefonia que fica perto da casa (e que até então seus pais achavam horrenda) e disse, com imensa alegria:
– Ah, eu vou trabalhar ali, na torre de botões!
A Marta
Benjamim doce passarinho
Benjamim é irmão mais novo do Miguel e recentemente começou a nos presentear com suas reflexões também:
No carro com a família, ouvindo uma música da cantora Tiê, que fala do nome dela.
Sua mãe pergunta:
– Você queria ter nome de passarinho, filho?
E ele, inspirado, responde:
Sinceridade master
Téo, com 5 anos, foi visitar seu bisavô, que, todo orgulhoso, quis mostrar o quartinho de ferramentas para o bisneto. Durante a visita, o biso perguntou:
– E aí, o que achou, Téo?
E ele respondeu:
– Nossa… quanta coisa velha!
Outro dia, Téo chegou bem na hora da soneca do biso e logo falou:
– Você só nana? Vai trabalhar!
É tudo artista
Miguel, com quase seis anos, está com um gosto bem refinado para a música. Dia desses, pediu:
– Vivaldi não mãe, quero ouvir Mozart!
“Que filho culto”, pensou sua mãe, trocando de CD. E, em seguida, ele emendou:
– Depois bota um do Lasar Segal!


