Um sutil pedido de atenção

Daniel é irmão mais novo da Anninha por parte de pai. Os dois nunca moraram juntos, mas sempre que surgia a necessidade de alguém para ajudar com o pequeno, a irmã mais velha era a escolhida. 


Em uma dessas noites de babysitter, quando ele tinha uns 3 anos, Anninha decidiu levar uma amiga para lhe fazer companhia e Daniel não gostou nada de ter que dividir a atenção. Ele queria desesperadamente brincar e as meninas queriam desesperadamente assistir o último capítulo da novela.


Depois de muitos “vamos brincar!”, seguidos de muitos “schhh!”, e enquanto Anninha e sua amiga não piscavam os olhos em frente à TV, ele decidiu tomar uma atitude mais efetiva e falou:


– Vai começá a brincadera! Vai se iscondi-iscondi! Eu começo!


Correu para o lado da televisão e gritou:
Ponto! Pode olharem!

Telemarketing

A Julia, agora com 7 anos, não recorta mais vestidos, mas adora atender o telefone de casa. Dia desses, sua mãe estava bem ocupada e, quando tocou o aparelho e a mocinha já correu para atender, ela pediu:

– Julia, se forem aquelas pessoas querendo vender alguma coisa, do banco, do cartão etc, fala que eu não estou, tá?

– Tá – respondeu Julia, já com a mão no aparelho.

Quando a ligação começou, a moça do outro lado perguntou:

– Por favor a Sra. Cristiane, aqui é do cartão fulano de tal…

Mas a Julia rapidamente já interrompeu:

– Olha, ela não está!

– Ah, não está? Então você pode chamar a sua mãe, por favor?

E a Julia, muito brava, saiu gritando:

– Manhêêêê, eu disse que você não tava, mas não adiantou nada!

Baby Dino

Pai e filho brincando de Tiranossauro, uma brincadeira cheia de mordidas e abraços…

– Filho, sabe que eu inventei essa brincadeira de dinossauro só para a gente ficar se abraçando? Eu adoro o seu abraço!


– Ah, papai. Se você queria abraço era só pedir, né?

 

(pausa reflexiva)

 

– Papai, você é mesmo um bebezão!

 

dinossauro(imagem: galeria.colorir.com)

Mamíferos

João e Rafael estudam na mesma escola desde um ano de idade. Neste semestre eles estão aprendendo a ler e a escrever e João está muito animado com isso.

Um dia, durante uma aula na biblioteca, Rafael resolveu pegar um livro sobre os animais mamíferos.

– M-A-M-I-F-E-R-O-S – decifrou concentrado.

– Você sabe o que “é” mamíferos? – perguntou João.

– Não. Você sabe?

– Não, mas vou ler. 
Ele pegou o livro e abriu em uma página com a ilustração de uma baleia.

– M-A-M-I-F-E-R-O-S – e continuou falando como se estivesse lendo – Mamíferos “é” um peixe gordinho, que tem a boca grande e que tem pipi. Entendeu??

Meu Vizinho!

Sarah, com 2 anos e meio, conversando com os avós na porta de casa:

-Sarah, olha ali o Seu Montoro – diz a avó apontando para o vizinho que se aproxima. 

– É meu! MEU MONTOLO! – briga Sarah.

– Não, Sarah, é “SEU”. Seu Montoro é ele.

– É MEEEEEEEU MONTOLO! – não se conforma a mocinha, que já pode bater um “papo pronominal” com o Theo e com a Marina.

(E daria para ficar discutindo horas de quem é o Montoro).

Multilinguismo

Desde que tinha seis anos de idade, Julia tem aulas de Inglês, Francês e Espanhol na escola.

Agora, aos sete, ela já se arrisca mais com os diálogos e está animada com as novas aprendizagens.

Sabendo de seu gosto por participar, a professora de Francês aproveitou para trabalhar um novo conteúdo, perguntando-lhe:

– Julia, aimes tu l´orange?

Sem pestanejar e muito animada por ter entendido tão rápido o que sua professora queria saber, ela responde:

– Si, je love!!!

Automático

Ian (5 anos): … daí eu sonhei que bateu o carro e daí eu acordei com medo!

Theo (8 anos): Ian, mas você disse que conseguia escolher seu sonho, lembra? Por que dessa vez você não escolheu outro sonho?

Ian: Ahhh, Theo, não é toda vez que dá pra escolher o sonho, né? Dessa vez quem escolheu foi o automático!

Diversas da Lina 2

Lina, com 3 anos, um pouco brava com alguns alimentos:


– Papai, esta laranja é ogânica! Você gosta?
 

– Sim, e você?
 

– Eu não sou ogânica!


Com soninho, argumentando com sua mãe:

– Lina, tenta dormir sem chupar dedo, você sabe que não é bom pra você…

– Só mais um pouquinho, mamãe, até acabar!

E brincando com um amiguinho, sem medo das coisas da vida:

– Vamos brincar de morrer? – propõe Lina
– Mas antes eu preciso trabalhar. – explica o amigo
 
– Mas eu vou morrer!
 
– Tá bom.