Diversas do Ian

Nos últimos dois anos, o Ian (hoje com 4 anos e 10 meses) teve boas conversas em casa. Compilando as publicações da TL de seu pai, surgiu uma divertida coletânea por aqui 🙂

O pai do Ian começou a cursar uma faculdade de medicina e ele aproveitou para sanar suas dúvidas:

Mexendo na mão…
-Pai, você já aprendeu na escola de médicos como as partes do corpo ficam coladas?
-Como assim, coladas?
-Ué, meu dedo tá colado na mão, que tá colada no braço. Nunca percebeu, pai?

Tirando uma casquinha do braço…
– Pai, você lá na sua escola de médico já aprendeu a cuidar desse tipo de dodói?

Durante um estudo de neuroanatomia no computador, ele quis saber:
– Pai, o que é isso? É um ‘célebro’?
– Sim, filho.
– Sabe quem gosta de ‘céleblo’? Zumbi.
– Zumbi?
– Zumbi, sabe? Zumbi é como uma múmia. Ele anda assim… (vai andando com as pernas duras e mãos estendidas). A diferença é que zumbi gosta de comer ‘célebro’ e múmia não, só fica dormindo dentro das pirâmides.

Ele também fez algumas gracinhas na hora do banho:
– Já acabou de se lavar, filho?
– Não, falta o bumbum e o pintóvski.

E, num domingo pós viagem, deu seu veredito final:
– Pai, eu queria que amanhã “sesse” outro feriado!

Suas escolhas alimentares foram ecléticas:
– Ian, você vai comer só batata? Não vai comer franguinho? – perguntou o irmão.
– Não, Theo. É que hoje eu virei herbívoro.
– Você sempre vira herbívoro no dia da batata frita, né, Ian?
– É, Theo. Você sabe que eu gosto de ser herbívoro.
– E no dia que tiver lula fritinha?
– Aí eu viro carnívoro. Qual o problema?

E esperando o Pokemon Go carregar… de repente, ele deu um berro:

– OLHA PAI! Tem o meu nome aqui embaixo do balãozinho! Ele sabe que sou eu!

 

Ian passou por uma fase em que falava “Nossa!” para tudo. Um dia, seu pai chegou em casa depois de 12 horas na rua e o pequeno não teve piedade:
– NOSSA, pai!
– Que foi?
– Como você tá fedido!

Na escola, esteve empenhado nos desenhos:
– O que você fez hoje, filho?
– Foi muito legal, cada pessoa podia pintar o que quiser. A minha amiga Diana pintou uma flor!
– E você, Ian?
– Eu pintei uma pessoinha que sonhou que estava dentro do redemoinho de um furacão!

Com 3 anos e 9 meses, voltou do supermercado explicando:
– Oi mãe, olha, eu compLei só tLêis goLoLobas, tá?

Também conversou com o irmão sobre uma música da Marisa Monte:
– Eu não ‘lembo’ a música que a gente está aprendendo para a mamãe, Theo…
– Não é aquela do “Amor Alô Viu?”

 

Também refletiu sobre as relações parentais:
– Pai, vamos brincar de família lobo? Eu sou o filhinho lobo e você é a mamãe lobo.
– Mamãe?
(Ele pensa, diplomático)
– É que lobo não precisa muito de pai, né?

E sobre a organização alimentar:
– Pai, o jantar é um tipo de almoço, não é?

Um dia deixou uma pilha de brinquedos jogados no chão e seu pai perguntou:
– Quem fez essa bagunça?
– Fui eu.
– E quem vai arrumar?
– Pode ser você?

No processo de desfraldamento, anunciou:
– Pai, acho que escapou um xixi…
– Deixa eu ver… é filho, escapou muito.
– Por que escapou xixi?
– É porque você não tá prestando atenção no seu corpo?
(ele pensa)
– Tô sim, pai. Meu corpo tá cheio de xixi.

Com 2 anos e 9 meses, assistiu um jogo de futebol na TV. Seu irmão, Theo, ficou tagarelando ele se esforçou para entrar na conversa, sem muito sucesso. Até que… Theo perguntou:
– Mas o jogo é aqui no clube?
– Não, esse é no estádio do Sport – respondeu o pai, que ainda ía explicar onde fica o estádio, mas foi interrompido pelo pequeno que declarou com muita ênfase:
– Nãããão, é no “estádios unidus”, né, “genti”?!

E, pra terminar, com 2 anos e 4 meses, o pequeno divertiu a família toda com novas pronúncias da Língua Portuguesa:

galinha preta com bolinhas brancas = Galinha Gangola
onde fazemos compras – Fimicado
onde comemos de vez em quando = Vistaulante
o que comemos depois do jantar = Fubimesa
o que não faz bem pra nossa saúde = Pucalía
para subir no nosso apartamento, a gente usa o… Vilador
o que protege os nossos pés = Satapo
objeto que ajuda a enxergar melhor = Lóculos
o que gostamos muito de ouvir aqui em casa = Múcasa
quando estamos cansados, a gente pode… Vilaxá
e podemos deitar na… Alfumada
a mamãe precisa sair pra… Pataiá
antes de ser adulto a gente é… Quilança

PiLico!

Ian (2 anos e 5 meses) no sábado:
– Mamãe, eu tô ficando gande, poque eu vô apendê a fazê cocô no piLico!
– Sim, meu amor! – diz a mãe empolgadíssima já pensando em acender uma vela p/ Nossa Senhora do desfralde natural…

Ian no domingo:
– Vô fazê cocô…
– Oba, filho! Vamos pro penico?!
– Não, mamãe – e fazendo carinho no rosto da mãe, completa – eu não sou gande não, eu quelo fazê na faldinha, tá bom?

toilet-paper
(E la vamos nós com dois passos p/ frente, um p/ trás, muitas fraldas mas também muita fofurice 🙂 )

Batizado

Sofia, de 2 anos e meio, e sua irmã, Isabella, de 6 meses, foram batizadas no mesmo dia. Na hora da cerimônia cristã, Sofia ficou bem atenta a tudo o que estava acontecendo. 
No momento em que o padre finalizou o primeiro batismo, jogando água na cabeça da sua irmãzinha, ela ficou bem quietinha e já se levantou esperando a sua vez. Foi para o colo dos pais, mas, quando chegou a hora de ir para a pia batismal, ela chamou o padre, colocou as mãozinhas em concha para cochichar, e logo avisou:
– Eu já lavei a cabeça!

Diversas da Mariana

Mariana vive na França com seus pais e com o irmão Pedro. Bastante esperta e observadora, ela compartilha ótimas contribuições filosóficas no auge dos seus dois e três anos…


Em um momento psicanalítico:

– Pedro, a mamãe é sua e o papai é meu.
(E pensar que Freud teve que estudar tanto pra descobrir isso…)


Constatando a  anatomia humana:

– O Papai tem pipi.
– É, o papai tem pipi.
– O Pedro tem pipi.
– É, o Pedro tem pipi.
– A Mariana tem umbigo!


Constatando a limitação de um eletrodoméstico,
apontando para o freezer lotado:

– Não tem cabimento. Acabou o cabimento. Acabou!


Exercitando a língua:

Mariana:
– Caralho, Papai.
André:
– Filha, você tá falando palavrão?
Mariana:
– Não, inglês.


Música, fotos e partos

Gael, com três anos e um mês, no carro com sua mãe:

– Mamãe, na casa da vó Maía passa o Maique… Maique… é… Maique…
– Mike, o Cavaleiro, filho?
– Não, o Maique Djésson!

E, com a câmera no pescoço, brincando de tirar foto:

– Mamãe, eu sou fotófo também. Eu não faço o bebê nascê, eu só tio foto.

A mãe, que é uma fotógrafa conhecida pelo seu lindo trabalho com partos, precisa de uma pausa para se recuperar da emoção. Depois, pergunta:

– Então quem é que faz o bebê nascer?
– Ah, é a mamãe dele!

E a conversa continua um tempinho depois…

– Mamãe, aí o neném nasceu. Eu tiei foto, óla!
– Ah, que linda a foto, filho! E como ele nasceu, me conta?
– Na casa dele. Pela pepeca. Óla, que bunitinhu

fotografo

(imagem: gartic.uol.com.br)

 

Inspirações do Miguel

E o Miguel continua inspirado em suas reflexões sobre a vida, Deus e outras “cositas más”…
Dia desses ele acordou e, antes mesmo de escovar os dentes, explicou para seus pais:
“Não se preocupem com o serêm, tudo será, tudo vem”. 
 

No mês passado, percebeu uma bonita relação na fauna que nos rodeia e lançou a ideia:

“Na terra vivem os tatus, na vida vivem as borboletas, os passarinhos e as águias”.
E, certa noite, ficou pensativo e fez um convite para sua mãe:
 
– Mãe, um dia, quando tiver de noite, a gente pode ir lá fora ver se Deus manda gases pra gente?
 
-Manda gases? – quis entender a mãe.
– É, lembra um dia que a gente foi no sitio da Sissi e Deus mandou gases pra gente que explodiam no céu assim: pow, pow, pow! E era colorido!

Vida animal

Rodrigo, com 3 anos e meio, ouviu os tios conversando e começou a repetir dois palavrões: “Talaio” e “Biado”. Mesmo com a família ignorando, tentando mudar o foco, ele ficou por vários dias repetindo em diferentes situações:

Talaio! Biado! Talaio! Biado!

Tempos depois, sua mãe teve uma ideia e resolveu recorrer a um livro de animais para chamar a atenção de Rodrigo. Folheando as páginas, ela explicou:

– Olha, filho, sabe aquela palavra que você gostou? Tá aqui, ó: ve-a-do, é esse bichinho aqui, viu?

E Rodrigo, bastante interessado, completou:

– Vi, legal, e cadê o Talaio?

Do contra total

Diálogo na casa da Bebel, quando ela tinha 1 ano e 8 meses:
Mãe: – Bebel, quer passear?
Bebel: – Passear, não.

Pai: – Quer ficar em casa?

Bebel:  – Em casa, não.
Mãe: – Quer dormir?
Bebel: – Dormir, não.
Pai: Quer brincar?
Bebel: Brincar, não.

Mãe: – Mas você só fala não? Fala “sim” também!

Bebel: Sim, não!

Super poderes

Foi a primeira vez que Sofia, de dois anos e meio, viajou de avião. Antes do embarque, sua irmã mais velha, Mariana, finalmente concordou em explicar-lhe tudo sobre as “meninas super poderosas”: Florzinha, Docinho e Lindinha, não necessariamente nesta mesma ordem.
Sofia, muito feliz pelo novo aprendizado, concluiu, então, que ela também tinha super poderes. E foi do saguão do aeroporto até a entrada no avião dizendo em alto e bom som:
– Eu sou “podelosa”! Eu sou muito “podelosa”!!!
No momento da decolagem, sua mãe estranhou o súbito silencio que se instaurou, de repente. Durante praticamente todo o vôo, Sofia manteve-se quieta e atenta a tudo que acontecia.
No momento de retirar as bagagens, já em solo estrangeiro, a mãe de Sofia percebeu um semblante tristinho e perguntou:
– O que foi filha?
– Ah, mamãe, eu não sou muito “podelosa”, não…
– Não? E por quê?
– Porque eu não tenho “zazas”…