O pai de Bianca, de quatro anos e pouco, chegou em casa e encontrou a filha ajoelhada, com as mãozinhas unidas em oração. Achou um pouco estranho, já que esse não era um hábito da família, mas resolveu se aproximar em silêncio para não atrapalhar. Chegando mais perto, ele escutou a pequena falando baixinho:
Pérolas do Joaquim
Joaquim tem quase cinco anos e muitas histórias pra compartilhar. Algumas de suas conversas já foram publicadas aqui. Ele também é irmão do Tomás e filho da Anne – querida parceira no Mamatraquinha… E para não sermos acusadas de nepotismo lá na página pública, vou fazer um post “colar de pérolas” pra enfeitar a página do Conversas de Gente Grande 🙂
Tatoo
– Mãe, tatuagem não sai?
– Não sai.
– Como você fez para ela ficar aí para sempre?
– Eu fui num tatuador. Ele usa uma maquininha com agulhas, que coloca a tinta dentro da pele.
– Ah. Tá.
(um mês depois)
– Se a tinta está dentro da pele, como ela aparece para fora?
Existe pergunta depois da morte…
– Por que o gato da vovó morreu?
A mãe já deu todas as explicações possíveis.
Ele quer aquela que ela não sabe responder – o que é morte, o que é vida…
então, resignada, ela responde:
– Não sei.
– Então pesquisa.
Sem luz, com lógica
– Mãe, eu não gosto de escuro.
– Por que filho?
– Porque não.
– Ah, mas “porque não” não é resposta.
– Então, porque sim.
Inseminação
– Mãe, eu já descobri por onde os bebês nascem!
– Sério filho? Por onde?
– Não é pela vagina, mãe.
– Então sai por onde?
– Pelo umbigo.
– Ah tá.
– Mas ainda não sei por onde entram.
(dias depois…)
– Mãe! Descobri como os bebês chegam nas barrigas das mães!
– Sério filho? Como eles chegam?
– Vocês comem sementes.
Irmão com restrição
– Joaquim, eu terei outro filho se vc me ajudar a cuidar.
– Tá bom. Mas não pode ser bebê e não pode ser menina.
Beatle Monkey
(foto arquivo pessoal, Anne Rammi)
– E esse é o John…?
– Lennon!!
– Isso meninos! E esse é o George…?
– Curioso!!!!
CNV.soquenao
A mãe em uma tentativa falida de mediação de conflitos:
– Eu vou ter uma conversa muito séria com quem bater E com quem apanhar!
(Cara de mãe, mãozinha na cintura).
– Mamãe, sabia que o Tomás bate E apanha?
(Cara de malandro, dedinho na cara da Anne).
…
imagens diversas: pixabay.com
Observação apurada
Aula de história, alunos de 13 e 14 anos, capítulo sobre povos indígenas. A professora pede para os alunos observarem as imagens do capítulo, antes de efetivamente iniciarem a leitura. Após 12 imagens observadas, diferentes alunos comentam desanimados:
– Ah, não tem nenhum pelado!
imagem: gartic.uol.com.br
Aranha no escritório
Heitor, com dois anos e oito meses, colocou sua fantasia e entrou correndo no escritório:
– Oi Homem-aranha! Como você está? – pergunta o pai, dando uma pausa no trabalho.
– Vermelho! – responde Heitor.
– Ah… que tal você dizer: eu estou pronto para amarrar os bandidos com minha super teia! – sugere o pai.
– Eu também! – anima-se o pequeno.
Diversas da Luana
Luana é uma graciosa menina, filha de pai argentino e mãe brasileira. Com três anos, suas “pérolas” costumam ser bilíngues…
Gravidez, comidas e afins…
– Filha, o que a mamãe tem na barriga?
– A irmazinha.
– E o papai?
– Manteca!
…
– Papai, a mamãe comeu meu jámon… fiquei chateada.
…
– Filha, vamos al super mercado?
– Pastorinho em português!
Personal Stylist
E ao procurar uma roupa para sair com o pai, ela declara:
– Sai papai, você nao entende tudo de moda!
Pedágio para viagens
Gael V., com 3 anos, iniciando seu planejamento financeiro:
– Mamãe, vamos pegar o avião para ver a Vale e o Nei? (em Florianópolis).
– Gael, primeiro eu preciso juntar dinheiro para a gente ir. – explica sua mãe.
– Eu tenho dinheiro, mamãe! Eu tenho um pedágio, meu dinheiro tá lá. – responde o mini economista.
Do contra total
Pai: – Quer ficar em casa?
Mãe: – Mas você só fala não? Fala “sim” também!
Noção cremosa
Lorena, com quase quatro anos, mostrando-se super descolada na conversa com as primas mais velhas:
– Nossa, que sem loção!
Vendo o mundo com poesia
A Olívia, com dois anos, queria entender o que é trabalhar. Durante a explicação, seus pais disseram que um dia, quando estiver grande, ela provavelmente vai querer trabalhar também.
Depois de pensar quietinha por um tempo, ela olhou para uma enorme torre de telefonia que fica perto da casa (e que até então seus pais achavam horrenda) e disse, com imensa alegria:
– Ah, eu vou trabalhar ali, na torre de botões!
Reflexões matinais
Theo, com 5 anos e meio, ainda na cama com suas reflexões matinais e conversando com a mãe cheia de sono:
– Mãe, pra que servem os números? Pra contar as coisas?
– Sim.
– E pra que servem as tintas? Pra pintar as coisas?
– Sim.
– E pra que servem as letras? Pra escrever as coisas?
– Siiim…
(Falando e rindo sozinho) – Ai, ai, ai… Quanta coisa cabe na minha cabeça!
Depois do café da manhã, ele foi ver uma semente que achou na floresta e plantou com o pai:
– Nossa! Nasceu um galho! Bem grande!
– É grande mesmo e cresceu muito rápido! Acho que essa semente é de uma planta igual ao pé de feijão mágico e vai chegar na casa do gigante, hein, Theo?
– Ahhh, mãe, isso não existe… mas existe que é semente mágica, isso sim!










