Manoela também coleciona histórias de crianças e compartilhou algumas aqui com a gente:
Certa vez, ela foi contar histórias para as crianças da primeira série de uma escola, que estavam estudando os contos de fada. Contou duas: um conto de fadas e um conto popular e, em seguida, propôs uma conversa:
– Essa segunda história é um conto de fadas?
– Nãããão! – As crianças responderam
– Por que não?
E, então, um menininho se levantou e disse:
– Porque nela não tem mágica, só tem esperança.
Outro dia, em um buffet infantil onde Mano trabalhou, os monitores fizeram uma proposta:
– Quem quer desenhar?
E um menino, chamado Caio e de 5 anos, respondeu sério com outra pergunta:
– Depende. É uma atividade?
– Como assim? – perguntou Manoela.
– Porque se for atividade eu não quero. Odeio atividade!
Guardanapo ou papel higiênico?
Carta de Natal
Menino valente
Lanchinho bravo
Poliamor, mamãe!
Art nojô
Bicho papão
A terapeuta de Sofia costuma aproveitar os assuntos de interesse das crianças para conduzir alguns trabalhos. Ao perceber que Sofia gostava muito do tema “Harry Potter”, ela resolveu assistir uma cena do filme (onde um “bicho-papão” se transforma no que as crianças mais têm medo) para, se possível, engatilhar uma conversa posterior. Terminada a cena ela comenta:
– Que coisa, né? Esse bicho-papão, então, é um bicho que vive dentro do armário e, quando sai, se transforma exatamente no que a gente mais tem medo… Para o Rony (personagem do filme), ele se transformou em uma aranha gigante… e para você no que ele se transformaria?
– Não sei.
– Não sabe? Ah, mas é só lembrar de alguma coisa que você tem medo de vez em quando. Você não tem medo de nada?
– Não sei.
– Não sabe ou não tem medo?
– …
– Pensa bem Sofia, pode ser alguma coisa que você não goste… No que poderia se transformar o bicho papão quando ele saísse do seu armário???
– Bom… ele podia se transformar numa pessoa que fica fazendo perguntas!
Grande menina
O que é importante
Na escola de Felipe, em todo início de ano, são feitas algumas listas com as crianças, registrando “o que vamos aprender”, ou simplesmente as “regras gerais” combinadas previamente com os alunos, desde os três anos de idade.
Foi em um momento de retomada de uma dessas listas que a professora de Felipe falou:
– Então pessoal, vamos lembrar os nossos combinados?
“1) Levantar a mão para falar”.
“2) Ouvir o que o amigo diz, em silêncio” – Isso é muito importante, não é pessoal?
– SIM! – respondem todos animados.
– Bom, vamos continuar:
“3) Lavar as mãos antes de tomar o lanche”. Isso também é importante?
– SIM – novamente em uníssono…
– 4). Ah, essa também é muito importante. “Não bater no amigo”.
Neste momento, Felipe levanta a mão, demonstrando muita ansiedade para falar.
– O que foi Felipe, você quer falar alguma coisa?
– Professora, sabe o que é muito importante nessa vida?
– O quê?
– O que é mais importante, é não levar chineladas!






