Automático

Ian (5 anos): … daí eu sonhei que bateu o carro e daí eu acordei com medo!

Theo (8 anos): Ian, mas você disse que conseguia escolher seu sonho, lembra? Por que dessa vez você não escolheu outro sonho?

Ian: Ahhh, Theo, não é toda vez que dá pra escolher o sonho, né? Dessa vez quem escolheu foi o automático!

Casaco cardíaco

Miguel e Benjamim resolveram brincar de “o que é o que é” com a madrinha do Benjamim, Manoela.

Com 3 anos recém completos, Benja não conseguia muito participar do jogo, mas quis ficar assistindo. Já Miguel, com 5 anos, logo pegou o jeito de fazer adivinhas, mesmo depois do seu repertório ter acabado. 
Passado um tempo de brincadeira, olhando fixamente para o casaco da Manoela, o Miguel perguntou:


– O que é o que é, tá no corpo, mas abre de um jeito diferente?

E o Benjamim respondeu animado:
 

– Essa eu sei! É o colaxão!

Histórias de Clarice…

Transcrevo aqui dois registros encantadores retirados do caderno de Clarice Lispector…
“1954 – no aeroporto quando íamos de férias para o Rio, ele vê uma menina e me diz furtivo, afobado:
– Olha, uma menina bonita!
Ficou agitadíssimo e disse:
– Mamãe, quando eu vejo uma moça eu até sinto o cheiro do meu paninho! (o pedaço de pano com que desde que nasceu, ele dorme. Quando o pano era lavado ele reclamava a ausência de cheiro. Uma vez disse: mamãe, o paninho tem cheiro de mamãe!)”
“Pedro.
– A palavra “palavra” é ex-possível!
– Ex-possível?
– É! Gosto mais de dizes ex-possível do que impossível! A palavra “palavra” é ex-possível porque significa palavra.”
LISPECTOR, Clarice. Outros Escritos (Organização de Teresa Montero e Lícia Manzo). Rio de Janeiro: Rocco, 2005.

 

Tarefa lusitana

Joaquim, com quatro anos e dois meses, procurando um brinquedo:

– Mãe, onde está o meu cavalo?
– Filho, eu não sei.
– Mas onde você guardou?
– Eu não guardei nenhum brinquedo. Essa tarefa está nas suas mãos.

(Joaquim olha apavorado para as mãos)

– Não tá! Não tá, mãe, olha!!!

maos

(imagem: pixabay.com)

 

Pais e filhos… e irmãos… e mães…

Theo, com 3 anos, conversando com o pai na hora de dormir:
 

– Pai, quantos “irmões” você tem?
– Três, filho.
– É “muitos irmões”, né pai?
– Não, é bom ter irmãos.
(silêncio, o pai ainda na esperança que ele adormeça…)
– E quantos filhos você tem?
– Dois, você e o Ian.
– Não é muito dois filhos, né, pai?
– Por enquanto está bom, Theo. Dorme.
(mais silêncio)
– Pai… e por que você só tem uma mulher? Não quer ter duas também?




E alguns meses depois, logo ao acordar:

– Pai, o Ian é bebezinho, né?
– É, filho. Mas ele tá crescendo, né?
– É, ele era mais bebezinho pequenininho. Agora ele meninou um pouco.

A casa do irmão

Flavio, com 2 anos e 2 meses, acabou de ter um irmãozinho e já conseguiu aprender muitas coisas com esta nova experiência.
Essa semana, ele resolveu desenhar e falou:
– Você sabe quê qué isso, mamãe?

– Não, o que é? – perguntou sua mãe.

– É pacenta! Eu tô deseando uma pacenta!

– Hã, uma PLACENTA?

– É, era casa do imão. Uma pacenta, uma pacentona!

Mais Lua

Theo, 3 anos e 10 meses, tagarelando sobre planetas e satélites e olhando a Lua Cheia com a mamãe:

– Olha um planeta!

– Parece planeta, né? Mas é a Lua, filho.

– Mas ela tá assim redonda, que nem um planeta, é um planeta! A Lua é assim com um risquinho (desenha uma Lua Crescente com a mãozinha).

– A Lua tem várias fases, Theo: essa do risquinho é a Lua Crescente, essa redonda é a Cheia…

– Ah, sei, e também a Lua Linguante, né?